
Um programa lançado em setembro pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Consevitis-RS), na Serra, quer ampliar a sustentabilidade no setor vitivinícola. O objetivo do Viti Mais Sustentável é aumentar o número de ações sustentáveis na produção para garantir o bem-estar dos trabalhadores e do meio ambiente, além de dar continuidade nos parreirais.
Um dos pilares do projeto são as boas práticas ambientais, segundo a consultora Janine Lisboa, que ainda explica que, para aderir, o produtor pode procurar o Consevitis-RS ou o Sebrae-RS em busca de ajuda para colocar a ideia em prática.
Os irmãos Leandro e Luciano Guarnieri decidiram adotar ações dentro do Viti Mais Sustentável, como a cobertura do solo das videiras com folhagens. Os produtores notaram melhorias na qualidade do produto e redução nos custos de produção.
— A gente adotou essa prática principalmente por causa da erosão causada pela chuva. Ela traz vários benefícios: se consegue ter uma melhor retenção de água, uma melhor retenção de nutrientes e toda essa parte de vegetação se desenvolve e vira adubo de novo — diz Leandro, produtor de uvas.
As ações do programa do Consevitis-RS envolvem também cooperativas, que participam do processo com apoio técnico, orientação e acompanhamento.
— Nós damos toda a parte de assessoria para os nossos produtores, desde a implantação do projeto, juntamente com os parceiros, e mais a parte de assistência junto ao cooperado. A cooperativa desenvolveu um caderno de campo dentro do sistema da própria cooperativa, que é um aplicativo que todo nosso cooperado tem acesso, e ele faz todos os registros no próprio celular ou no computador. Se o produtor tem qualquer dúvida no momento da aplicação, no celular ele revisa e faz na prática toda a regulagem e regularização desse equipamento — explica Evandro Bosa, gerente de assistência técnica da Cooperativa Vinícola Garibaldi.
Além dos benefícios para o dia a dia da produção, o objetivo da iniciativa é garantir a preservação das videiras para as próximas gerações.
— A preocupação em preservar, em fazer isso bem feito, ainda é maior porque é da família. Se eu não cuidar da minha terra, eu não consigo ter renda — diz Janine Lisboa, consultora do projeto.
Na outra ponta, as vinícolas também adotam práticas mais sustentáveis. Em Garibaldi, um projeto inédito vai reaproveitar garrafas de vinhos e espumantes — e os consumidores vão participar do processo, descartando os vidros em pontos de coleta distribuídos pela cidade. A ideia é sair dos atuais cinco pontos para chegar a 20 em em breve.
Por trás da ação, o objetivo é investir não apenas na sustentabilidade ambiental, mas no social, diz o gerente técnico da Vinícola Garibaldi, Ricardo Morari.
— Acaba ligando, além da sustentabilidade ambiental com a reciclagem, uma sustentabilidade social, de orientação, de trazer a cultura do descarte correto, da reciclagem. É plantar para colher no futuro. Quanto mais vidro reciclado tivermos, melhor para o meio ambiente — complementa Morari.



