
O primeiro mês do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos no Brasil reforçou o temor existente na indústria madeireira. De acordo com o Sindimadeira RS, as exportações do país caíram 30% em agosto após as taxações de até 50% impostas pelo governo de Donald Trump. Na Serra, o temor se repete.
O presidente do sindicato, Leonardo de Zorzi, lembra que 50% das exportações do setor eram feitas para os EUA. Ao longo dos últimos 35 anos, o Brasil desenvolveu uma série de produtos para a indústria norte-americana e para residências.
— Nossa avaliação é, infelizmente, de muita dificuldade. Muita negatividade porque nós não tivemos nenhuma evolução por parte do governo americano, do governo brasileiro, no entendimento sobre a possível negociação. Tentamos, de diversas formas, sensibilizar o governo brasileiro em relação a isso. É muito complexa a situação. O setor madeireiro, de madeira proveniente de floresta plantada, é um setor que é vocacionado a vender para os Estados Unidos — afirmou Zorzi.
No Estado, o sindicato calcula que o setor perdeu 500 postos de trabalho. Além disso, duas unidades industriais fecharam. Uma em Encruzilhada do Sul e a outra em Piratini.
— Esperamos um número para setembro talvez até pior do que esse (da queda de 30%). Temos um Brasil que compreende praticamente os três estados do Sul, que são os estados que produzem através da madeira plantada — avaliou o presidente da entidade.
Queda na produção
Em Cambará do Sul, uma das principais empregadoras da cidade é a Reflorestadores Unidos, especializada na fabricação de cercas de madeira para residências norte-americanas. De acordo com o diretor-presidente da empresa, Cassiano De Zorzi, a produção teve redução de 45% após a taxação dos EUA. São cerca de 350 funcionários na unidade.
— Hoje, temos a produção em torno de 55% do que produzíamos. Então, estamos 45% abaixo da nossa capacidade produtiva, justamente porque o mercado norte-americano não está consumindo — comentou Zorzi.
Para não demitir funcionários, a empresa estipulou férias setoriais. Os setores com entregas a serem feitas seguem ativos. De todas as exportações da empresa, 80% são para os EUA e na fatia dos 20% há países como México e Emirados Árabes.
— Continuamos trabalhando com essas pessoas, dando férias quinzenais e de forma setorial. O nosso departamento de recursos humanos analisa quais são as pessoas que têm já direito a férias ou que estão no setor que não está muito produtivo por conta do mercado. Acabamos dando férias 15 dias para essas pessoas, voltam e depois, libera outras pessoas — contou Zorzi sobre o "quebra-cabeça" que precisa ser feito.
O diretor-presidente, assim como o restante do setor, espera por uma "luz no fim do túnel". No momento, Zorzi diz que está trabalhando com margem zero e em alguns produtos até uma margem negativa de lucros.
BRDE tem 60 pedidos de financiamento da linha especial
Uma das medidas do Estado para minimizar os efeitos do tarifaço na indústria local foi um programa de crédito de R$ 100 milhões, por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). De acordo com a assessoria do banco, 60 pedidos foram recebidos por empresas atingidas pelas tarifas.
Entre os setores está o madeireiro, mas também o moveleiro, o metal mecânico, de calçados e alimentação.
Conforme a assessoria, as solicitações protocoladas estão em fase de análise na área técnica. São observadas situações, além das típicas para qualquer operação de crédito, como confirmação que o produto exportado está incluído na sobretaxa de 50%.
O banco estima que as operações devem levar 60 dias até a liberação dos recursos. A expectativa é que os primeiros contratos sejam celebrados neste mês.



