
Gasolina comum ou aditivada? Todas as gasolinas são a mesma coisa? Como preservar o motor do carro? Essas são dúvidas comuns para motoristas e donos de veículos.
Em viagem recentemente à Serra para uma consultoria empresarial, em Bento Gonçalves, o engenheiro mecânico automobilístico e coordenador de combustíveis da Shell, Gilberto Pose, esclarece algumas dúvidas recorrentes aos motoristas, como qual gasolina escolher e como otimizar e cuidar do motor do veículo.
No início da carreira, trabalhou com produção de motores até chegar na empresa britânica de combustíveis. Há 32 anos na companhia, já atuou com desenvolvimento de soluções para combustível, aditivos, corantes e marcadores. De 1999 até 2019, trabalhou dando suporte para a Scuderia Ferrari durante as corridas da Fórmula-1 no Brasil.
Gilberto Pose concedeu uma entrevista ao Pioneiro, em que tira algumas dúvidas sobre o tema. Confira a seguir:
Comum ou aditivada? Qual é a melhor escolha?
Gilberto Pose: Os combustíveis aditivados nasceram no Brasil em função de uma legislação de meio ambiente. Lá em 1986, o Conselho Nacional do Ambiente criou o Programa de Controle de Emissões Veiculares e determinou que, entre outras coisas, o respiro dos gases que se formam no cárter do lubrificante não fosse mais jogado na atmosfera.
As montadoras pegaram esses vapores e redirecionaram para dentro do motor para queimar na câmara de combustão. Obrigatoriamente, eles passam na válvula da emissão e, mais recentemente, agora nos picos injetores de combustível.
Então, esses vapores começam a se depositar ao longo do tempo, formam uma camada que é esponjosa, isso dificulta a entrada de ar, dificulta a injeção de combustível, atrapalha a queima perfeita do combustível. Com isso, penalizam o desempenho e aumentam o consumo.
O combustível aditivado é a opção para quem quer ter um motor sempre limpo e sempre entregando uma boa performance.
Encher um tanque com aditivada a cada três meses limpa o motor?
Não funciona, esse mito é recorrente no mercado. A gasolina aditivada contém basicamente detergente dispersante, e, no caso da Shell, contém redutor de atrito, anticorrosivo, antioxidante.
Para que serve o detergente? Para remover essas partes que começam a se depositar em válvulas de emissão e bicos injetores e para que eu retome o desempenho do automóvel. Então, se eu uso um tanque de aditivada a cada três de comum, eu nunca limpo.
Eu costumo dizer para o pessoal que usar um tanque de aditivada a cada três em comum, é que nem escovar os dentes. Se a gente quer manter uma saúde bucal boa, a gente tem que escovar todo dia, não adianta eu escovar a cada três dias. Se o consumidor quer ter o carro sempre com partidas boas, com marcha lenta regular, acelerações firmes e constantes, segurança na estrada, então escolho o aditivado.
Existe um comentário de que as gasolinas comum e aditivada não têm diferença. Isso é verdade?
Não, a dose do aditivo já é calculada para entregar um benefício. Quando a gente fala nas válvulas de emissão, por exemplo, a última versão da gasolina que temos consegue limpar até 100% daqueles resíduos que se formam.
O aditivo tem informações químicas que otimizam a característica do combustível, além de ser detergente. Então, mesmo em dosagens pequenas, ele tem uma ação muito efetiva.
Para os carros que andam mais na cidade, tem diferença entre colocar gasolina comum ou aditivada para render mais? Tem alguma dica que possa fazer render mais o tanque?
A gasolina aditivada mantém o motor mais limpo e restaura o desempenho do motor. Com isso, para fazer o mesmo deslocamento, os clientes observam que o consumo de combustível é menor.
Isso ajuda a manter o veículo sempre saudável, sempre entregando um bom consumo. O custo-benefício da aditivada compensa. Os primeiros sinais de melhoria do motor são os sinais de partidas mais rápidas, marcha a ré mais estável e acelerações.
Para os carros mais antigos é o mesmo raciocínio. Os que usaram por longos períodos o combustível comum, a expectativa de ter depósitos nessas regiões, válvulas e liquidificadores, carburadores é maior.
Então, a limpeza que você faz ali retira muito mais do material depositado e é mais visível a melhora do carro.
Como saber se o posto de combustíveis é confiável? Tem como identificar se um combustível é adulterado?
Existem testes obrigatórios que o posto executa e que o consumidor pode pedir a qualquer momento. Na gasolina, por exemplo, você coloca uma amostra e faz uma análise visual, se ela está límpida, isenta de material boiando ou depositado, se não tem duas fases. Mede-se a densidade e o teor de etanol. São testes básicos que o posto tem condição de fazer localmente e que mostram para o consumidor se aquele produto tem algum problema ou não.
No carro, tem alguma coisa que seja possível perceber se o combustível é adulterado enquanto está dirigindo?
Depende do tipo de adulteração. Se há muito etanol dentro da gasolina, a energia da mistura abaixa. Qual é o resultado prático para o consumidor? Se eu abasteço meu carro num posto onde a gasolina não tem apenas 30% de etanol, mas tem 60%, o consumo do meu carro vai ser muito rápido, vai ser muito grande.
Eu vou perceber que faço sempre a mesma distância, mas que naquela oportunidade gastei mais combustível.
Se for uma alteração com solventes, posso ter ressecamento de borrachas de vedação que existem no sistema, anéis de borracha, juntas de vedação, e isso pode trazer vazamentos para dentro do motor. O risco maior é o motor pegar fogo.




