
O tarifaço prometido por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para o Brasil começa a impactar setores na Serra. Em Bento Gonçalves, o setor moveleiro vê a paralisação de negócios desde o anúncio de uma taxação de 50% aos produtos brasileiros. A medida foi anunciada no início de julho. O governo norte-americano promete colocá-la em vigor a partir de 1º de agosto.
Segundo o Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), os EUA representam quase 17% das exportações do polo moveleiro desde o início do ano. São cerca de US$ 4,5 milhões (ou quase R$ 25 milhões) gerados. Em relação ao município, os móveis representam quase metade do que a cidade exporta ao país norte-americano.
— Os Estados Unidos, hoje, é o maior mercado de exportação do polo moveleiro de Bento Gonçalves. O setor moveleiro aqui é muito representativo no polo de Bento Gonçalves e obviamente essas medidas podem vir a afetar os empregos das pessoas que trabalham diretamente nesse setor — analisa Cleberton Ferri, diretor internacional do Sindmóveis.
Há um temor, como relata Ferri, de que o tarifaço impacte negócios também com outros países, e não apenas com os Estados Unidos.
— Como os Estados Unidos é o maior mercado consumidor do mundo, eles acabam impactando indiretamente nas demais economias e isso vai impactar nós porque outros países que vivem ao redor do Estados Unidos e que vivem também da economia americana também vão sentir esse impacto. Vamos ter que buscar outras formas de não parar nossas produções e continuar exportando.
Fábricas sentem o impacto
O impacto é sentido diretamente nas fábricas de Bento. Em uma delas, os envios estão parados desde a última semana, como relata o empresário Matheus Scotton. As vendas aos EUA representam 40% das exportações do negócio.
— Tínhamos projetos que demandaram muita mão de obra e estão parados e temos algumas em mar ainda, que estão indo para lá e vão sofrer com essa tarifa. E aí, infelizmente, não sabemos o que fazer porque o custo é muito elevado e, infelizmente, não temos norte ainda. Não tem nenhuma negociação governamental em curso, não sabemos. Vamos ver o que vai acontecer — conta Scotton.
Outra empresa do município tinha negociações com Porto Rico, território que pertence aos Estados Unidos. As vendas também foram impactadas.
— Temos grandes negociações que agora, infelizmente, acabaram parando. O que nós exportamos é para Porto Rico, que é uma ilha dos Estados Unidos. E aí, inclusive, nosso cliente que tem vários contêineres já mandou segurar todos os contêineres — afirma o empresário Euclides Longhi.
Setor metalmecânico também se preocupa
Em Garibaldi, o ramo metalmecânico também demonstra preocupação com a taxação. Há empresas do município, por exemplo, em que de 10% a 15% da produção mensal são destinadas aos Estados Unidos.
— É extremamente preocupante, uma pelos investimentos que todas empresas fizeram para entender esse mercado que é tão exigente e com alta tecnologia, com discernimento em termos de qualidade e preços de valor agregado excelentes. Isso sim nos preocupa, sem contarmos que poderá cair a produção e que isso automaticamente será demissão ou o aumento próprio da inflação no Brasil — avalia o empresário Juarez Piva.
Em nota, a Fiergs, que representa as indústrias do Rio Grande do Sul, diz que "não há fato econômico que justifique a elevação das tarifas" e defende a mediação e negociação para a solução do impasse.

