
Na lista de quase 700 produtos brasileiros que receberam sobretaxa de 50% dos Estados Unidos, os armamentos não escaparam da medida. O cenário reflete diretamente nas atividades de empresas da Serra, como a Boito Armamentos, produtora de espingardas situada em Veranópolis. Com 90% das armas fabricadas vendidas para o mercado americano, a empresa avalia a situação com certa expectativa.
Conforme a gerente financeira da companhia, Manoela Amantino, os 250 empregos gerados pela produção do armamento serão mantidos, bem como a produção mensal de 4 mil a 5 mil espingardas. Isso porque, até o momento a empresa veranense não recebeu nenhuma sinalização de baixa nos pedidos.
— A empresa para a qual a gente vende as espingardas fez um novo pedido recentemente e manteve a quantidade de armas solicitadas no ano passado. Apesar dessa manutenção, estamos avaliando a situação. Possivelmente iremos buscar o mercado interno também, mas mantemos nossa exportação — aponta.
Para Manoela, a situação ainda é muito recente, o que impede uma avaliação mais precisa. O que traz segurança ao negócio é a parceria de longa data com a Beretta Holding, companhia que compra as espingardas veranenses há cerca de 50 anos e as comercializa em grandes cadeias de lojas americanas, como a Walmart.
A gerente acredita que negociações entre os governos dos dois países possam gerar queda no percentual da taxação. A expectativa é que a tarifa se estabeleça entre 25% a 30%. Apesar das circunstâncias não favoráveis, Manoela ainda acredita que há chance de a Boito aumentar as vendas para os Estados Unidos.
— A perspectiva é que a inflação suba lá. Com isso, os clientes irão procurar por armas mais baratas. Como as nossas espingardas são mais de entrada, têm um valor mais em conta. Pode ser uma boa oportunidade para nós, como foi em 2008, quando houve a crise financeira — explica.
Reflexo em outros segmentos
O Grupo E. R. Amantino, detentor da Boito Armamentos conta mais duas empresas em Veranópolis: uma no segmento da microfusão de aço e outra que atua com implementos rodoviários, sendo fornecedora de peças para a Randoncorp.
Para Manoela, caso as vendas da Randoncorp caiam em decorrência do tarifaço, é possível que o grupo sofra novos impactos. Por hora, apenas 20% do faturamento tem ligação direta com o mercado americano.



