
O faturamento nominal da indústria de móveis de Bento Gonçalves caiu 17,4% de janeiro a novembro do ano passado em comparação com 2015, enquanto a queda no Rio Grande do Sul foi de 11,2%, segundo o presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário (Sindmóveis). Apesar dos números negativos, o presidente da entidade, Henrique Tecchio, está esperançoso com a recuperação do setor e projeta uma reação "lenta", possivelmente, a partir do terceiro trimestre do ano.
Tecchio, condiciona a melhora na produção e a redução das demissões do setor, as reformas trabalhistas e da previdência propostas pelo governo federal. Segundo ele, a redução da taxa Selic e de juros ajuda na confiança do empresário e do consumidor.
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_ A previsão é bem atrelada a questão econômica. Se essas medidas passarem pelo Congresso a gente entende que poderá melhorar. Aumentando a demanda, o emprego vem na mesma proporção. Sem as reformas a situação, a retomada será mais lenta.
De janeiro a novembro, o setor fechou 1.817 vagas de emprego em relação ao mesmo período de 2015, no Rio Grande do Sul. O pólo de Bento Gonçalves também apresentou uma retração de 621 postos de trabalho, no mesmo período. Em 2015, foram fechadas em torno de 1,1 mil vagas.
_ A gente espera que no mínimo estanque a queda nessa ano. Agora tudo vai depender das questões das medidas econômicas.
Tecchio afirma que as empresas de Bento Gonçalves estão com muitas dificuldades para honrar os compromissos com os funcionários.
_ Algumas indústrias estão pagando salários e outras obrigações como o 13º (salário) e férias atrasadas. Se não melhorar a única alternativa é demitir.
Máquinas agrícolas têm arrancada
Segmento que o Rio Grande do Sul detém mais da metade da produção nacional, a indústria de máquinas e implementos agrícolas iniciou uma arrancada no segundo semestre do ano passado e também vislumbra um 2017 melhor. Dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ilustram a situação. No final do primeiro semestre de 2016, as vendas de tratores acumulavam queda de 31%. Ao chegar em dezembro, a retração era de apenas 3,8%. No caso das colheitadeiras, saiu de recuo de 14% para alta de 14%.
O reflexo apareceu no emprego. No mês passado, as fábricas associadas à entidade registraram 16,8 mil postos de trabalho _ 8,8% acima de um ano antes.
Com o bom preço das commodities agrícolas e a previsão de mais uma safra cheia, a Anfavea projeta que, em 2017, as vendas internas devem crescer 13% e a produção nas fábricas subir 10,7%.
O diretor-presidente da Stara, Gilson Trennepohl, avalia que 2016 marcou o ponto de inflexão da curva de vendas e 2017 tende a ser melhor, embora ainda longe de recuperar o volume de negócios observado em 2012 e 2013.
_ As vendas devem crescer em torno de 10%, com o mercado reagindo principalmente a partir do segundo semestre _ diz o dirigente da empresa de Não-Me-Toque.
Em um cenário em que fatores como preços dos grãos, volume de safra e crédito não parecem ser problemas para 2017, a principal dúvida permanece no cenário político. Ou seja, se o governo não atrapalhar, já ajuda, completa Trennepohl.
Eli vê as vendas de pães diminuírem

Em julho do ano passado, o Pioneiro publicou uma série sobre o desemprego na Serra. As reportagens mostraram a vida e as perspectivas de pessoas que haviam perdido o emprego como Eli Vieira e Cleber Ricardo Daneluz. A vida dos nossos dois personagens mudou, mas os dois ainda continuam em busca do emprego formal.
Na quinta-feira, a reportagem conversou com a vendedora, Eli Vieira, 52 anos. Mesmo diante das dificuldades que ainda persistem, a mãe de João Carlos, 21, e Luiz Enrique, seis, não perde o bom humor.
Sem conseguir um emprego com carteira assinada, a venda de pães continua sendo a única fonte de renda da família, porém ela ressalta que as entregas diminuíram muito.
_ A venda de pães está crítica. Bem diferente do ano passado. No ano passado, as vendas das sextas-feiras rendiam até R$ 140. Amanhã (ontem), minhas encomendam vão render apenas R$ 40.
Segundo ela, o principal motivo para a queda na comercialização é a estação do ano onde as pessoas evitam comer pão.
_ Agora é verão e tem essa onda fit. As pessoas comeram muito no período das festas de Natal e Ano Novo e também muitos estão em férias.
Com o orçamento menor e para evitar o corte das contas de energia elétrica e água, Eli diz que está ainda mais especialista em administração doméstica e cortou as "extravagâncias" como as compras semanais no supermercado e almoços em restaurantes.
_ Calculo todos os gastos para honrar os meus compromissos. O verbo comprar não existe mais no nosso vocabulário. No supermercado vou duas vezes por mês e nossa meta é consumir o que se tem no armário. Se estou com vontade de comer massa, mas tem arroz ou faço uma comida com arroz. Só vou no mercado quando não tem mais opção em casa.
Nos últimos meses, Eli conta que adotou uma nova estratégia em busca do sonhado emprego e começou a enviar currículos somente para empresas com vagas abertas. Mesmo sem ter sido chamada para entrevistas, ela não perde a esperança de conseguir um novo trabalho com carteira assinada.
_ Sempre fui uma excelente vendedora e muito elogiada.
Consultoria foi a opção de Daneluz

Nem mesmo os quase 20 anos de experiência na área executiva de grandes empresas credenciou Cleber Ricardo Daneluz, 40 anos, para um novo emprego com carteira assinada em Caxias do Sul. O retorno ao mercado de trabalho foi ainda em julho do ano passado, mas dessa vez como consultor autônomo em uma empresa dos setores plástico e têxtil, de Blumenau, em Santa Catarina.
Daneluz está satisfeito com a nova condição, mas não descarta mudar de área se aparecer uma oportunidade boa e definitiva de trabalho.
O executivo que admitia reduzir o salário até 70%, diz que a função diminui 50% do seu último rendimento mensal.
_ Foi a oportunidade que apareceu. Já cogitava a opção de ir para a consultoria, mas não tinha nenhuma especulação.
Por telefone, Daneluz é pessimista quanto ao momento econômico do país e diz que 2017 será um ano de instabilidade.
_ As coisas não vão melhorar nesse próximo ano. Não vejo muitas perspectivas de emprego para o futuro. As pessoas têm que se agarrar ao emprego que tem.
Para o executivo, Caxias do Sul está vivendo um momento de crise muito maior comparando com outras cidades.
Daneluz diz que segue em busca de emprego, mas não com a intensidade do ano passado.
_ Estou de olho (no mercado), mas não estou incessantemente procurando. Se aparecer uma proposta a gente avalia.


