
Todo leitor tem um livro favorito. Seja em verso ou prosa, quando uma obra é marcante vira também indicação para que outros leitores possam saborear do mesmo encanto. Pensando nessa relação, o jornal Pioneiro convidou personalidades caxienses para que indicassem livros que são referência em suas vidas.
Aproveitando o início da 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul, que as sugestões a seguir possam suscitar o desejo novos mergulhos por diferentes universos literários. Lembrando que a maior festa literária do interior do Estado ocorre de 2 a 18 de outubro e toda programação é gratuita.
Veja as recomendações de livros das personalidades caxiense:
Adriana Antunes

A patrona Adriana Antunes recomenda Feminismo ou Morte (1974), da escritora francesa Françoise d'Eaubonne. A obra relata a exploração e a opressão das mulheres. É neste livro que nasce o conceito de ecofeminismo, que apresenta ao mundo uma lógica de dominação que faz com que o controle sobre a natureza e sobre os corpos femininos seguem o mesmo padrão de poder.
Adriana recorda que descobriu este livro num grupo de estudos do pós-doutorado, que relaciona psicanálise, feminismos e sociedade em geral.
— Este livro coloca o feminismo não apenas como um modo de vida ou uma ideologia, mas como uma epistemologia para futuros possíveis, menos violentos e mais humanos para com todos. É escrito em primeira pessoa e mescla pesquisa com depoimentos, criando uma prosa acessível e profunda ao mesmo tempo — sintetiza a patrona.
Alexandra Faccio, a Teca

Já Alexandra Faccio, a Teca, Amiga do Livro deste ano, recomenda Areia e Espuma (1926), do escritor e filósofo libanês Khalil Gibran. O livro é composto por reflexões profundas sobre a vida, o amor, a dor, a natureza e a espiritualidade. Teca recorda que leu a obra ainda no tempo do colégio, em 1987.
O livro marcou tanto que virou seu livro de cabeceira. Depois acabou doando, pois achava que as mensagens precisavam ser repassadas a mais pessoas
— As frases curtas do livro são uma mistura de ácido com um querer mudar, amaciar o mundo. Virava e mexia, e eu ia lá ler uma frase ou outra — conta Teca, que complementa:
— Alguma coisa entre a cruz e a espada. É como aquela frase: “Todo São Jorge tem um dragão que o devora”.
Adiló Didomenico

O prefeito Adiló Didomenico recomenda o livro Em Busca de Sentido: Um Psicólogo no Campo de Concentração (1946), do escritor austríaco Viktor E. Frankl. A obra foi um presente do filho no Dia dos Pais deste ano.
— Ele tem o hábito de ler bastante e escolheu me presentear com essa obra. Estou praticamente finalizando e tem sido uma leitura muito marcante — revela o prefeito.
A obra traz a experiência de Viktor Frankl, psiquiatra que sobreviveu aos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, e aborda também o trabalho que o austríaco desenvolveu posteriormente a partir de suas experiências, ajudando as pessoas que também passaram por aquele trauma.
— É um livro muito interessante e traz reflexões sobre resiliência e esperança. Por isso, é uma obra que recomendo muito e que vale a pena conhecer — conclui.
Tatiane Frizzo

Um clássico de um dos maiores escritores da literatura brasileira é a recomendação da secretária da Cultura Tatiane Frizzo. Quincas Borba (1891) foi o primeiro livro do escritor carioca Machado de Assis lido por ela. E, segundo a secretária, foi "amor a primeira vista".
A obra conta a história do Professor Rubião, que herda uma herança do filósofo Quincas Borba com a condição de cuidar do seu cão de estimação que leva o nome do filósofo. Rubião se muda para o RJ e passa a frequentar a alta sociedade. Lá ele conhece um casal, que vendo sua riqueza e ingenuidade se aproveita da situação em proveito próprio.
— O livro mostra como a ambição e a manipulação levam nosso personagem principal a perder a fortuna e a própria sanidade mental. É um romance envolvente e que faz o leitor viver a trama ansioso e aflito pela próxima página — descreve Tatiane.
Depois de ler Quincas Borba na adolescência, Tatiane conta que Machado de Assis se tornou um dos seus escritores favoritos:
— Esse livro me marcou por trazer à tona temas como ascensão e queda, a exploração e o delírio, filosofia e a crítica social da época. O livro continua sendo atual e trazendo temas relevantes para o debate — enfatiza.
Elisa D' Mutti

Há momentos na vida em que somos confrontados por incertezas, dúvidas e desafios. Foi exatamente em um desses períodos que o livro Você Pode Curar Sua Vida (1984), da escritora norte-americana Louise Hay, chegou até a rainha da Festa da Uva 2026, Elisa D' Mutti.
Inspirada na sua própria história de vida, a autora Louise Hay conduz o leitor por um caminho de transformação interior ao demonstrar que não somos reféns das nossas circunstâncias. Ela revela, de forma prática e humana, como os nossos pensamentos, crenças e ações moldam diretamente a nossa realidade e o nosso bem-estar.
— Ler essa obra mudou minha vida, porque me fez compreender o verdadeiro poder da nossa mente: a capacidade de ressignificar dores, abandonar padrões destrutivos e assumir a autoria da nossa própria história — confidencia Elisa, que acrescenta:
— Recomendo a leitura para qualquer pessoa que esteja buscando clareza, equilíbrio e uma nova forma de olhar para si mesma. É um convite indispensável para quem deseja entender que a chave para a transformação está, antes de tudo, dentro de nós.
Ubiratã Rezler

Lançado em maio deste ano, o livro sugerido pelo presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler é Bom dia, Inverno, da escritora Tamara Klink. A obra relata os oito meses em que ela viveu sozinha em um pequeno veleiro preso no mar congelado do Ártico Groenlandês.
Rezler explica que, para ele, os relatos de Klink foram uma aula de determinação, de planejamento, de descobertas, do enfrentamento do desconhecido, do estar frente a frente com o perigo, do estado de alerta em defesa aos perigosos animais e das surpresas com pessoas do bem.
— Muito mais do que um objetivo de atendimento a uma meta, o livro fala desse enfrentamento e descobertas do nosso interior, dos nossos anseios, vícios e virtudes. Parece fácil se isolar dos outros, mas talvez o enfrentamento de si mesmo é parece ser o mais difícil — avalia Rezler.
João Pulita

O colunista social do Pioneiro, João Pulita, indica Anos Loucos (1983), do antropólogo americano William Wiser.
A obra discorre em crônicas a efervescência cultural a Paris da década de 1920, o lugar de artistas intelectuais que produziram obras de extrema importância e atemporais até os dias de hoje como, Josephine Backer, Coco Chanel, Ernest Hemingway, James Joyce, Modigliani, Gertrude Stein, Ezra Pound, Picasso, entre outros grandes artistas.
Pulita conta que descobriu a literatura na adolescência estimulado pelas irmãs mais velhas. A partir disso, escritores como Machado de Assis, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana e Murilo Mendes ganharam espaço na sua estante.
— Comecei me debruçado em revistas em quadrinhos e romances leves até descobrir na escola esses autores — recorda.
No teatro, Pulita também mergulhou na obra de Carlo Goldoni, Jean-Paul Sartre, Plínio Marcos, Gianfrancesco Guarnieri, entre outros dramaturgos que deram continuidade à sua voracidade por livros.
Augusto Cavalheiro

Os Miseráveis (1862), um dos grandes romances do escritor francês Victor Hugo, é a recomendação do Delegado Regional da Policia Civil, Augusto Cavalheiro.
A obra, situada na França após o período napoleônico, trata de temas como a desigualdade social, o perdão, o amor e a redenção. Outro tema fundamental que permeia o livro, principalmente para aqueles que se dedicam ao Direito, segundo Cavalheiro, é de que justiça e legalidade nem sempre andam juntos, podendo, inclusive, se antagonizarem.
— Li este livro ainda no final da faculdade e marcou-me profundamente — conta o delegado.
Giovani Gomes

O comandante do 12º BPM Tenente-coronel Giovani Gomes não hesitou em indicar um clássico que carrega consigo na memória há anos: A Arte da Guerra, do estrategista chinês Sun Tzu.
A relação do tenente-coronel com a obra começou no início de sua carreira, quando ainda era um jovem cadete na academia de Policia Militar em Porto Alegre.
Na época, o comandante buscava por dicas práticas de disciplina e tática para a rotina do serviço. Só que, ao folhear as primeiras páginas, percebeu que tinha em mãos algo muito maior do que um simples manual de combate e estratégia. Com isso, o livro virou uma espécie de guia para a vida toda.
— Me acompanhou nos momentos mais difíceis da profissão, ajudando a manter a cabeça no lugar na hora principalmente de gerenciar crises e liderar pessoas no dia a dia da segurança pública. Para mim, a maior lição de Sun Tzu não é sobre vencer lutas, mas, sim, sobre evitar conflitos desnecessários, planejar com calma e conhecer a fundo as próprias forças e limites — conta Gomes.



