
Ela se define como um ser a ser estudado pela Nasa. Pisciana com ascendente em Peixes, transbordar afeto é o que Alexandra Faccio, a Teca, acredita ser sua missão na Terra, enquanto espera ser abduzida por uma nave espacial – ainda que não acredite em extraterrestres “porque eles mentem muito”. Assim é a Amiga do Livro da 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul, conhecida pelas inúmeras mensagens “good vibes” penduradas nas árvores e fixadas nos postes da cidade onde nasceu, 55 anos atrás.
Bem antes de ser a Teca das Mensagens, Alexandra já chamava a atenção dos professores na Escola Estadual Presidente Vargas. Organizados pelas cores e decorados com figurinhas adesivas no cantos das folhas, seus cadernos eram utilizados como exemplo de capricho. A criatividade e o gosto pelas palavras ajudaram a moldar, desde a adolescência, uma personalidade fora da caixa que ganhou mais força no começo da vida adulta, quando morava no Litoral Norte.
- Eu frequentava um grupo de jovens da igreja e sempre tinha muita alegria, muita música onde a gente estivesse reunido. Mas sempre tive uma preferência pela palavra escrita. Acho que o ato de escrever carrega mais afeto e tem muita força. E sou analógica. A gurizada gosta muito de teclar, mas eu só escrevo à mão - conta, exibindo o colar feito com um punhado de areia de Capão da Canoa.
Foi durante uma visita à irmã, no Rio de Janeiro, que entrou em contato com as ideias do Profeta Gentileza (1917-1996) e descobriu que seu destino seria, tal qual o popular pregador das ruas, espalhar ideias de paz e amor por onde passasse, por meio da escrita.

– No papel eu coloco as minhas inquietudes, deixando o caminho livre para o que vem à cabeça. Não sei rimar, por isso não me considero poeta, embora já tenham me dito que poeta é quem escreve o que vem da alma. Prefiro dizer que sou alguém que está sempre exercitando o olhar. Num Carnaval, por exemplo, vi uma menina com uma maquiagem de lágrimas coloridas que me inspirou a chegar em casa e escrever: “Se nossas lágrimas fossem coloridas, choraríamos arco-íris” – diz, referindo-se a uma de suas mensagens mais conhecidas.
Se ainda não foi abduzida por extraterrestres, talvez seja porque tenha provocado neles uma pequena confusão temporal. A alma de Teca, afinal, reside em algum lugar dos anos 1960, onde não cansa de buscar inspiração nos ideais utópicos da multicolorida geração hippie e na psicodelia daquela que é seu maior ídolo, a cantora Janis Joplin. Um caldeirão de referências que trouxe à tona o alter ego ideal para que Alexandra, tímida moradora do bairro Desvio Rizzo, se mostrasse para o mundo:
– Se não fosse pela arte, eu viveria enclausurada dentro de casa. Se tiver de ir a uma consulta médica, quem vai é a Alexandra. É só quando viro esta personagem, que pinta as próprias camisetas, que olha para qualquer retalho e enxerga um adereço, que me solto e encarno a Teca, essa pessoa que só quer levar um pouco de brilho onde tudo está cinzento.
TECA NA FEIRA
A Amiga Livro estará na Praça Dante neste sábado, para conduzir, no Espaço do Leitor, uma oficina de produção de cartões da paz, no estilo em que os caxienses já se acostumaram a ver espalhados pela cidade. Será às 15h30min.
8Teca volta à programação no dia 11/10 (domingo), para a atividade “Prosar: a praça em prosa e verso”, junto com a patrona, Adriana Antunes, e convidados. Será na Galeria Gerd Bornheim (Casa da Cultura), às 17h.




