
Eles têm o carisma que faz o público sentir serem seus amigos e conseguem isso porque interpretam em músicas o que muita gente já passou ao longo da vida.
A dupla Bruno & Marrone, que subiu ao palco dos Pavilhões da Festa da Uva às 23h35min deste sábado(5), em Caxias do Sul, já está na estrada há quase 40 anos, assim como grande parte da plateia que foi conferir a sua apresentação.
Décadas de sucesso que angariaram fãs muito antes que sofrer por amor —tema variante de todas as canções— fosse classificado como “sofrência”.
O público da dupla já consagrada tem suas músicas na ponta da língua uma a uma, cantadas em coro no show que promete e entrega o que roda nos telões atrás do palco: "Bruno & Marrone Revivem sua História".
E foi com o sucesso Inevitável que a dupla apareceu para reencontrar o público caxiense. A última apresentação tinha sido em 2024 junto do grupo Raça Negra na Festa da Uva.
Se o poder da paixão, segundo a letra, interrompe os sentidos — fica surdo, fica mudo, fica cego — a interpretação dos sertanejos os aflora. É então, e já na primeira canção, que o público não esconde estar diante de algo que vai mexer com os seus sentimentos.
— Que prazer voltar a Caxias — disse Marrone, o responsável maior pela interação com o público.
Tudo que é possível acontecer em um relacionamento foi cantado pela dupla em quase duas horas de show. Em Vidro Fumê, a última noite resignada depois da traição descoberta. Em Agora, quem termina e se arrepende. Já em Um Bom Perdedor, quem toma o fora aceita.
— Tem que saber perder — avisou Bruno antes de chamar a música numa analogia que serve tanto para o futebol quanto para os relacionamentos.
Em Caxias, Bruno & Marrone, além de revisitarem sucessos, lembraram o público de quando o amor era analógico. Antes dos aplicativos que conectam pessoas, existia a Ligação Urbana que ligava de um orelhão em meio ao barulho e à confusão.
O flerte era no Trânsito Parado, baixando o vidro e perguntando seu nome. Tem também o convite para uma matinê e a sugestão de inventar desculpas para os pais em Programa de Fim de Semana.
É claro que não faltou Boate Azul, música que embala madrugadas até o clarão da aurora, no bloco do sertanejo raiz que pôs o público a dançar com Esqueci. Na sequência, o clássico de Milionário e José Rico Nessa Longa Estrada da Vida confortou o público com a experiência de quem assume que relacionamentos são mesmo complicados, dão repertório, e é com a música que os inspira que também são superados.
Sem bis, veio Dormi na Praça, o grande sucesso da dupla e favorita da maioria fechou o show.
História revisitada
Os irmãos gêmeos Theo e Nicole Souza, 8 anos, ainda são muito novos para saberem como crianças são feitas, o que sabem — muito bem — é que foram gerados depois de um show da dupla sertaneja.
— Foi em São Paulo, viajamos para vê-los e depois do show aconteceu. Eu nem pretendia ter filhos, quanto mais gêmeos, estava com 39 anos e foi uma surpresa — conta a mãe, Cibeli Geri, acompanhada do marido, Eduardo Souza.
O casal e os filhos percorreram 320 quilômetros, vindos de São Lourenço do Sul, para tentar com um cartaz contar a história da família para a dupla, que não tem como ser lembrada sem citações a Bruno e Marrone.
— Nossa primeira foto juntos foi em um show, em 2016, em Bento Gonçalves — lembra Souza.
Era então inevitável — como a música favorita de Cibele — que os filhos gostassem das canções, mas de uma em especial:
— Dormi na praça — falaram juntos, como gêmeos fazem, na noite de sábado, 5 de setembro, Dia do Irmão.
A família foi recebida pelos sertanejos no camarim.





