
Como é viver em um país ocupado por nazistas? O que leva uma nação a colaborar com um regime ditatorial? Essas são algumas das perguntas que a historiadora Franciele Becher busca responder no livro Sob a Sombra da Suástica (Editora Contexto).
A obra a ser lançada neste sábado (12), em Caxias do Sul, traz uma investigação sobre o período em que a França foi ocupada pelas forças nazistas e as implicações na vida daquela sociedade. A partir de pesquisas, leituras sobre a Segunda Guerra Mundial e a análise de redações e desenhos de crianças e adolescentes, a autora retrata tanto a resistência quanto a colaboração do povo francês aos alemães.
— Tem muita gente que sabe pouco sobre a presença militar nazista na França, mas o país colaborou como Estado com esse regime. Como as biografias em português sobre o tema são limitadas, decidi me aprofundar e usar parte da investigação do meu doutorado para esse livro — conta Franciele.
A obra remonta os acontecimento de 1939 a 1945, perpassando o regime Vichy, que administrou a França após a derrota para a Alemanha nazista. A obra explora a contradição de mesmo sendo conhecidos pelo lema "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", os franceses terem colaborado com os nazistas, diante da ocupação de seu país.

A participação de adolescentes em movimento de resistência também são resgatados por Franciele, ao mesmo tempo que retrata os impactos da ocupação na rotina, como a destruição de escolas, a falta de alimentos e a convivência com o perigo iminente.
— É um caso único de colaboração, que traz diversas perguntas: o que fazer diante do inimigo? Como viver perante o autoritarismo? Como lidar com a violência? Como se adaptar em uma sociedade completamente caótica depois da ocupação? — questiona.
Conexão entre o passado e o atual cenário na Alemanha
Apesar do livro Sob a Sombra da Suástica reportar há quase um século, a temática se conecta com conflitos atuais, como a ocupação de Gaza e a guerra na Ucrânia, assim como conflitos no continente africano.
A obra também ajuda a entender o cenário atual da Alemanha, que nesta semana registrou a vitória do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) na região da Saxônia-Anhalt. O caso tomou os noticiários por ser a primeira vez que um partido de extrema direita vence uma eleição no país desde a Segunda Guerra Mundial.

— Em comum, todas são sociedades em crise econômica, social, cultural, em que se começam a debater e procurar culpados por essa crise. A Alemanha e a Europa de forma geral, estão saindo do contexto de bem-estar, como aconteceu no pós-guerra, em direção para a austeridade. Direitos e políticas públicas, que outrora foram garantidos, estão sendo cortados — contextualiza a autora.
Para Franciele, o cenário exige atenção, sobretudo aos sinais da normalização da violência e o questionamento das instituições democráticas.
— São nos momentos de crise que as pessoas aparecem com soluções muitos simples. Está acontecendo na Alemanha. Revisitar o que aconteceu e entender as influências em outros países, como a França, é uma forma de reconhecer os sinais de alerta antes que eles se consolidem.
Agende-se
- O quê: lançamento e sessão de autógrafos do livro Sob a Sombra da Suástica, de Franciele Becher. Além disso, haverá bate-papo com a participação do professor Anthony Beux Tessari, da UCS.
- Quando: sábado (12), das 10h às 13h.
- Onde: Livraria e Café Do Arco da Velha (Rua Dr. Montaury, 1.570 - Centro - Caxias do Sul).


