
A escritora cearense Socorro Acioli participou, neste domingo (16), do Festival Internacional do Leitor Quindim, em Caxias do Sul. O encontro, realizado na terceira edição do evento, reuniu grande público e teve fila para a sessão de autógrafos.
Jornalista e escritora, Acioli é conhecida pela linguagem simples e acessível de suas histórias. Para ela, essa escolha tem relação com a experiência no jornalismo e com o desejo de alcançar diferentes públicos.
— Eu acho que uma coisa que o jornalismo me deu é essa consciência de que a gente escreve para o outro. Então eu primo muito pela simplicidade da linguagem, pela clareza da linguagem — afirmou.
A escritora disse que busca contar histórias complexas de uma maneira acessível. Segundo ela, o resultado é alcançar tanto leitores habituais quanto pessoas que tiveram nos livros dela o primeiro contato com a leitura.
O público que participou do encontro também destacou a forma como Acioli aborda elementos da cultura brasileira. A designer de moda Júlia Joner afirmou que a escritora consegue trabalhar crenças e peculiaridades brasileiras de maneira acessível, aproximando os leitores de suas histórias e ideias.

Entre os livros apresentados no encontro está A Cabeça do Santo. A obra começou a ser escrita em 2006, durante uma oficina com o escritor Gabriel García Márquez, e foi publicada em 2014. Desde então, o romance foi traduzido para diversos idiomas.
Acioli contou que se surpreende com a recepção do livro em outros países, principalmente por considerar que a história tem elementos muito específicos da cultura brasileira.
— Eu não consigo entender, por exemplo, nas edições estrangeiras, como é que o povo entende, como é que um francês entende A Cabeça do Santo. Eu não consigo entender, mas eles entendem — disse.
O romance conta a história de Samuel, que faz uma viagem a pé pelo sertão do Ceará para encontrar o pai que nunca conheceu, a pedido da mãe, que está no leito de morte. Durante o caminho, ele encontra abrigo na cabeça gigantesca de uma escultura inacabada de Santo Antônio.
A história também tem uma ligação com Caxias do Sul. Um dos capítulos destaca a cidade, que foi incluída no livro como uma homenagem da escritora. Acioli explicou que a referência surgiu depois de uma visita à cidade para participar da Feira do Livro.
Na época, a mãe dela havia morrido recentemente, e a escritora entrou na igreja localizada na praça, que posteriormente identificou como a Catedral Santa Teresa. A lembrança da viagem e da oração que fez no local marcou Acioli e acabou sendo incorporada ao romance.
O encontro terminou com uma fila de leitores para os autógrafos. A professora Rubiane Guerra foi uma das primeiras a conseguir a assinatura da escritora e descreveu o momento como um sonho.
— Ela é exatamente o que eu imaginei lendo os livros dela — afirmou.



