
Da sala de aula para a telona do maior festival de cinema do Rio Grande do Sul. Esse foi o caminho dos curtas-metragens Ervilhas, selecionado para a 2ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil e Mostra Filmes Universitários Educavídeo, e Elisete tem que casar!, escolhido para a Mostra Competitiva de Curtas Gaúchos. Ambas as obras foram produzidas pelos alunos do curso de Produção Audiovisual da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e farão parte da programação do 54º Festival de Gramado.
Em Ervilhas, a protagonista Aurora tenta, entre erros e acertos, contar seu sonho e entender melhor a realidade ao seu redor. O curta, que será exibido em sessão gratuita no dia 12 de agosto, no Palácio dos Festivais, concorre em 11 categorias: Melhor Filme, Direção, Roteiro, Ator, Atriz, Fotografia, Direção de Arte, Som, Edição, Animação e Filme Júri Popular.
A diretora e roteirista do filme, Catherine Pedroni, conta que a premissa da história surgiu na disciplina de Roteiro do curso. Depois, os alunos foram lapidando a narrativa para aproximá-la do surrealismo.
Já na etapa de gravação, a equipe passou três dias em Garibaldi. Integram o grupo do filme, além de Catherine, Angela Michelon (roteiro e som), Germano Raimann (edição e montagem), Tiago Pavan Garda (direção de fotografia), Nicole da Silva (direção de arte e atriz) e Luca Cini de Campos (ator).
Após finalizarem a edição, inscreveram a produção na categoria de Curta Universitário do Festival de Cinema de Canoas, onde foram selecionados.
— Às vezes, um curta que você fez com os amigos para uma matéria da faculdade pode chegar mais longe do que uma grande produção, considerando também que essa não é a nossa primeira seleção em festival — reflete.
Com um olhar do que é visto além da telona, a diretora celebra a relação entre os membros da equipe, que é de muita amizade e amor por trás das câmeras:
— Esse curta é uma representação linda da nossa união e representa nosso laço de amizade. Acredito que por isso deu tão certo: tem um pouco de cada um, desde o roteiro até a pós-produção. Tudo reflete quem nós somos e como amamos o que fazemos — explica, emocionada.
"Elisete Tem Que Casar!" será exibido nos dias 15 e 16 de agosto

Outro selecionado foi Elisete Tem Que Casar!. A narrativa se passa na Serra gaúcha dos anos 1950 e acompanha a história de Elisete, após a jovem fugir de um casamento arranjado ao entrar em um convento.
Durante sua passagem por lá, ela descobre regras tão rígidas quanto as que evitou. Com isso, começa a desafiar a ordem, influenciar outras moças e confrontar limites entre fé, desejo e liberdade, aproximando-se do momento de romper com o destino que lhe foi imposto.
O curta-metragem, dirigido e roteirizado por Gaby Buffon e produzido por Julia Zamboni, concorre em 12 categorias: Melhor Filme, Ator, Atriz, Direção, Roteiro, Fotografia, Montagem, Direção de Arte, Música (Trilha Sonora), Edição de Som, Produção Executiva e Figurino. A exibição da obra está prevista entre os dias 15 e 16 de agosto, no Palácio dos Festivais. Para assistir à sessão, é necessário comprar o ingresso no site oficial.
"Obras que dialogam com o cinema contemporâneo"

Para o professor da disciplina Projeto: Curta-Metragem, Lissandro Stallivieri, ver os alunos desenvolvendo os próprios curtas e médias-metragens e sendo selecionados para alguns dos festivais mais importantes do Brasil mostra que existe uma sintonia muito grande entre a estrutura oferecida pela universidade, o conhecimento que os professores vêm compartilhando e aquilo que o mercado audiovisual brasileiro espera hoje de uma produção.
— Quando um trabalho desenvolvido dentro da universidade consegue chegar a festivais importantes, isso mostra que esse processo de formação está conseguindo aproximar o aluno da realidade do cinema que está sendo produzido e reconhecido hoje no Brasil — analisa.
Além disso, o professor comemora o aumento de trabalhos produzidos por alunos da instituição presentes em festivais e outras janelas de exibição, tanto no Brasil quanto no exterior. Segundo ele, isso demonstra claramente um amadurecimento do curso de Cinema da Universidade de Caxias do Sul.
— Mais do que comemorar uma seleção específica, o que me parece significativo é perceber que estamos formando realizadores capazes de produzir obras que dialogam com o cinema brasileiro contemporâneo e que, cada vez mais, estarão preparados para ocupar seu espaço no mercado audiovisual brasileiro e também internacional — completa.



