
Um curta-metragem produzido por uma equipe de caxienses foi um dos ganhadores da terceira edição do Desafio Bolovo Home Vídeo 26.
Romeu e a Lixeira 2 recebeu o prêmio na noite desta quinta-feira (27) durante a 13ª edição do FilmeCon, uma das maiores conferências de audiovisual do Brasil, que ocorre em São Paulo. Essa já é a segunda vez que o grupo ganha o desafio.
O Bolovo Home Video é um festival e desafio de curtas-metragens amadores promovido pela Bolovo Productions, uma marca de roupa brasileira e produtora audiovisual que incentiva a produção de vídeos criativos e espontâneos feitos com qualquer equipamento.
Nessa edição, a ideia era que os participantes enviassem vídeos curtos de até 1 minuto e 30 segundos baseados em temáticas específicas de cada edição, como homenagens a esportes radicais ou climas nostálgicos de filmes.
Foram quase 70 vídeos produzidos e mais de 350 pessoas inscritas. O curta caxiense venceu duas categorias no desafio: uma delas foi a Pulta Takes, que é voltada principalmente para a cinematografia do curta, envolvendo as imagens, as cores e toda a parte visual. Esse reconhecimento também foi recebido pela equipe na segunda edição do desafio, em 2025, com a primeira parte do curta, Romeu e a Lixeira 1.
Porém, o destaque em 2026 foi vencer o prêmio principal, o Home Video, que engloba o trabalho como um todo, desde atuação, cenário e fotografia até a identidade e o espírito do curta. Produzido por uma equipe de oito amigos (confira a ficha técnica abaixo), nasceu o Romeu e a Lixeira 2.
O diretor foi o videomaker Cadu Santos, 26 anos, com o auxílio do produtor João Victor Prebianca, 23, que explicou um pouco da ideia do curta-metragem. Todas as filmagens foram feitas em Caxias do Sul, com a produção ao longo de uma semana.
— A ideia surgiu no ano passado, quando a gente fez o Romeu e a Lixeira 1, também para o desafio da Bolovo. Então, desde o início, o roteiro foi pensado a partir dos filmes que a gente assistia na nossa infância, principalmente aqueles da Sessão da Tarde. Buscamos trazer essa atmosfera também para a estética do filme, pensando muito no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, tanto na fotografia quanto nos cenários, objetos e no próprio humor — disse Cadu.
João Victor também comentou como grande parte do cenário usado na produção foi feito manualmente.
— Tivemos bastante trabalho manual na construção dos elementos do filme. Fizemos vários objetos de cenário à mão, incluindo um chapéu de refrigerante, e também pintamos um muro com o título do curta, que aparece logo no começo. Para isso, fizemos os próprios stencils (molde vazado) e cuidamos de toda a pintura — contou.
"Foi uma viagem bem doida"
Em nome da equipe, Prebianca frisou a emoção de levar o nome de Caxias para o país novamente.
— Foram cerca de 20h de ônibus até São Paulo, e eu vim como representante da equipe para receber os prêmios. Foi uma viagem bem doida, mas chegar aqui e ter nosso trabalho reconhecido em um dos maiores eventos de audiovisual do Brasil foi uma experiência muito incrível. Eu estou comemorando aqui em São Paulo, enquanto o pessoal de Caxias está comemorando de lá. É muito legal poder viver isso em conjunto, mesmo estando longe — comentou.
Para a uma das roteiristas do curta, Tamara de Lucena, o processo de criação foi um trabalho coletivo e que contou com muita liberdade.
— A gente sempre foi trocando ideias, sugerindo coisas e tendo muita liberdade para falar o que pensava, inclusive quando discordava ou achava que alguma ideia poderia funcionar melhor de outra forma — contou.
Tamara ainda destacou a importância de receber o prêmio e como tudo se tornou mais especial por serem amigos de longa data.
— Quando você participa da criação, acompanha as ideias surgindo e vê o projeto sendo construído em equipe, receber o reconhecimento no final tem um significado ainda maior. Foi uma conquista nossa, e acho que a vitória também representa um pouco dessa relação que construímos e da confiança que temos no trabalho uns dos outros — ressaltou.
Ficha técnica
- Direção: Carlos Eduardo da Motta Santos
- Assistente de direção: Tamara de Lucena e Danielle da Rosa
- Roteiro: Giovana Tomazi, Thalia Boeira Caureo, Tamara de Lucena e João Victor Prebianca
- Direção de Fotografia: Carlos Augusto Rosa Damasceno
- Operação de câmera: Carlos Augusto Rosa Damasceno
- Direção de Arte: Giovana Tomazi, Thalia Boeira Caureo, Kaliandra Coradini Hermes e João Victor Prebianca
- Edição: Carlos Augusto Rosa Damasceno, Carlos Eduardo da Motta Santos e João Victor Prebianca
- Finalização: João Victor Prebianca
- Assistente de iluminação: Kaliandra Coradini Hermes
- Som: João Victor Prebianca
- Elenco: Carlos Eduardo da Motta Santos, Carlos Augusto Rosa Damasceno, Giovana Tomazi, João Victor Prebianca e Thalia Boeira Caureo
- Dublagem: Carlos Augusto Rosa Damasceno, Carlos Eduardo da Motta Santos, João Victor Prebianca e Thalia Boeira Caureo
- Produção: Giovana Tomazi, Thalia Boeira Caureo, Carlos Eduardo da Motta Santos e Danielle da Rosa



