
Está chegando a 3ª edição do Festival Internacional do Leitor Quindim, em Caxias do Sul. Com convidados de renome no Brasil e fora dele, a organização estima alcançar 80 mil pessoas entre todas as atividades, desta quarta-feira (12) a 23 de agosto.
Entre os escritores que marcarão presença na Serra para o festival internacional, está o pernambucano Marcelino Freire, idealizador e curador da Balada Literária, realizada desde 2006. Marcelino participa de um bate-papo nesta quinta-feira (13), às 19h, no palco principal do evento, batizado de José Clemente Pozenato, no Shopping Villagio Caxias.
O escritor é um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea, especialmente no conto. Sua obra é marcada por uma escrita rítmica, dando voz a personagens marginalizados, enfatizando temas como desigualdade, violência, racismo e preconceito.
Seu livro mais recente é Escalavra, com o qual foi finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura, além de vencer o Prêmio Biblioteca Nacional em 2025. Mas foi com Angu de Sangue (2000) e Contos Negreiros (2005) que ganhou projeção nacional. Contos Negreiros, inclusive, venceu o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos em 2006.
— Eu sou um jovem antigo, estou sempre descobrindo coisas e vou conversar com os jovens e contar um pouco sobre o que o jovem que fui quando era um jovem novo, sobre como a literatura transformou a minha vida. Eu, que sou sertanejo do sertão de Pernambuco, onde o acesso à escola é muito difícil. Quando eu tinha 10 anos de idade veio a poesia e transformou a minha vida. E eu vou contar um pouco como é que ela transforma a vida da gente, como a leitura expande o olhar. Vai ser uma conversa apaixonada, porque eu acho que a literatura e a leitura passam pela paixão — antecipa o escritor.
Da realidade do sertão nordestino ao frio da Serra gaúcha, Marcelino Freire observa que o que muda entre os jovens de regiões distintas é apenas a localização:
— São realidades muito diferentes, mas com a alma ávida pelo conhecimento. Ou com a vida toda pela frente, como é que eu vou enfrentar essa vida? Não importa em que chão que eu esteja, como é que eu vou fazer florescer? Como vou caminhar nessa vida de cabeça erguida, reconhecendo as forças que eu trago já comigo? Muitos poetas transformaram a minha vida porque foram me dando fortaleza, repertório e reconhecimento pelo que sou e pelo que eu posso me tornar. Então, não importa onde a gente esteja, a alma da gente está no mesmo lugar, que é diante de um livro, dentro da fonte da literatura — afirma Freire.
E nessas andanças pelo Brasil, o autor percebe que as pessoas ainda são curiosas pelas histórias, não importa o suporte que as comporte.
— Um livro como A Metamorfose, de Franz Kafka, será sempre atual. Sempre haverá o Gregor Samsa (protagonista da obra) se transformando num inseto monstruoso, quer seja no suporte de um celular, quer seja no suporte de um livro. Precisamos saber como usar esses instrumentos. Como é que a gente usa os instrumentos para ler um livro e como, na leitura desse livro, aprendemos a lição de que não é o instrumento que tem que nos usar, mas a gente usar o instrumento e saber como usar da melhor maneira. E a literatura está em todos esses suportes. Eu sou otimista nesse sentido, porque a poesia encontrou muitas frentes de batalha nas redes sociais — analisa o autor.
Primeira edição internacional
O 3º Festival Internacional do Leitor Quindim ocorre em Caxias do Sul de 12 a 23 de agosto. O evento promete trazer à tona temáticas centrais no debate atual, como a relação entre literatura e democracia, migração e identidades, clubes de leitura e a formação de leitores, literatura acessível, poesia no ritmo do rap e nos enredos carnavalescos, além de crônicas sobre a cidade, literatura LGTBQPIA+, políticas públicas para o setor e inteligência artificial.

Além de Marcelino Freire, mais nomes de relevância nacional estarão em Caxias do Sul para participar dos debates, sessões de autógrafos e intervenções propostas pelo Festival do Leitor. Entre os confirmados, estão Socorro Acioli, Xadalu Tupã Jekupé, Marcia Tiburi, Jeferson Tenório, Roger Mello e Natalia Borges Polesso.
O palco principal do evento será no Shopping Villagio Caxias e foi batizado em homenagem ao autor José Clemente Pozenato, que morreu em novembro de 2024.
As novidades
O Festival do Leitor, neste ano, vai estrear duas novidades, que ocorrem em paralelo: 1º Festival Internacional do Leitor Quindim Territórios e Caravana de Leitores Quindim.
O Territórios expande a programação para diferentes regiões do município, como a Aldeia Indígena Forqueta, o Clube Gaúcho, o Lar da Velhice São Francisco de Assis, o Terreiro Ilê da Família Orun e a Escola de Samba Pérola Negra.
Já a Caravana de Leitores Quindim tem uma proposta semelhante ao Passaporte da Leitura, que ocorre na Feira do Livro de Caxias do Sul. Cerca de 900 estudantes de 20 escolas municipais e estaduais vão receber livros dos autores convidados para trabalhar antecipadamente em sala de aula. Depois, receberão transporte para participar de atividades no 3º Festival Internacional do Leitor Quindim, no Shopping Villagio Caxias.

PROGRAME-SE
Veja a seguir as principais atividades desta primeira semana do Festival Internacional do Leitor Quindim, cuja programação ocorre no Palco José Clemente Pozenato, principal espaço do evento no Shopping Villagio Caxias. Entrada franca. A programação completa está disponível no site do evento.
QUARTA-FEIRA (12)
Palco José Clemente Pozenato
- 19h - Abertura Oficial com a presença do Coral Indígena Teko Guarani.
- 20h - Encontro com o ilustrador indígena Xadalu Tupa Jekupé e o cacique Verá Xondaro.
QUINTA-FEIRA (13)
Palco José Clemente Pozenato
- 17h - "Literatura, migração e identidade", com os professores Márcio Miranda Alves e Rosane Maria Cardoso. Mediação de Ronaldo Velho Bueno.
- 19h - Encontro com Marcelino Freire. Mediação de Roger Mello.
SEXTA-FEIRA (14)
Palco José Clemente Pozenato
- 17h - "Clubes de Leitura - mediação e formação de leitores", com Edineia Werner, Roberta Regina Saldanha e Samira Dall'Agnol. Mediação de Diego Adami.
- 19h - Encontro com Márcia Tiburi. Mediação de Carlinhos Santos.
SÁBADO (15)
Palco José Clemente Pozenato
- 13h - "Literatura e Acessibilidade para as infâncias", com Lu Alcaçuz e Izadora do Canto.
- 14h - Mesa do homenageado José de Oliveira Luiz (Zé do Rio) com Tina Andrighetti, Lucas Albuquerque, Jorge Valmini, Mara de Carli, Liliane Viero e Maria Helena Lacava.
- 16h - "Hadji Murát, Tolstói em cena", com Roger Mello. Mediação de Leonardo Buziki.
- 17h - "Autoria Feminina - gênero, memória e representação", com Adriana Antunes e Cristina Löff Knapp. Mediação de Beverli Rocha.
- 18h - "Movimento Internacional do Livro para Infância e Juventude - Impossíveis: Criatividade em Contextos de Conflito e Leitura na Era Digital", com Paloma Valdivia (Chile), Ali Boozari (Irã), Roger Mello e Volnei Canônica.
- 19h - Encontro com João Anzanello Carrascoza. Mediação de Tiago Marcon.
DOMINGO (16)
Palco José Clemente Pozenato
- 15h - "Os labirintos da alma: a literatura como Travessia", com Maya Falks, Mauro Paz e Geneviève Faé. Mediação de Priscila Weber.
- 16h - Encontro com Socorro Acioli. Mediação de Volnei Canônica.
- 17h - "Histórias que desafiam margens: a voz LGBTQIAP+ na Literatura" com Alex Andrade, Mariam Pessah, Cleunice Araújo e Felipe Zobaram.
- 18h - "A biblioteca como espaço de pensamento crítico e da fruição estética" com Silvia Castrillón (Colômbia), Ana Maria de Souza, Adriana Dutra e Daiane dos Santos Luza.
- 19h - Instituto TAL: "Todas as Linguagens - Literatura em Tempos de Exceção" com Maria Osório (Colômbia), Andreia Prestes, Roger Mello e Nilma Lacerda.

