
Um violão de sete cordas, um bombo leguero e os passos de uma das danças mais conhecidas da cultura gaúcha. Esse é o conceito do espetáculo Chula, que será apresentado pela bailarina Emily Borghetti nesta quinta-feira (16), às 20h, na Fundação Casa das Artes, em Bento Gonçalves.
O estilo de coreografia que move o show é a chula. A dança está diretamente ligada a história do tropeirismo, ciclo histórico e cultural que ajudou a formar a identidade do povo gaúcho entre os séculos 17 e 18, onde os cavaleiros conduziam tropas de mulas e gado.
— Nas paragens, que a gente chama, surgiam então as rodas de viola, as cantorias e também os desafios da chula. Era uma forma que eles tinham de entretenimento, mas também de demonstrar habilidade. Então, colocava-se um lançamento, uma vara no chão, no caso, e um peão iniciava uma sequência de sapateados. E aí o outro peão, necessariamente, precisava repetir os movimentos e, na sequência, criar novos passos, sempre sem tocar ou deslocar a lança — conta Anderson Barros, gerente administrativo do Centro de Cultura Ordovás e ex-patrão do CTG Rincão da Lealdade.
A apresentação é considerada por especialistas como uma reinvenção da chula, e é reconhecida também pela crítica, acumulando importantes premiações no mundo da dança como o Prêmio Açorianos de Dança e o Prêmio Quero-Quero.
Emily conta que o papel da mulher no tradicionalismo gaúcho vai ser salientado durante a exibição.
— Esse trabalho é para questionar esse lugar da mulher. E para a gente tensionar um pouco também essas regras que precisam ser revistas. A gente precisa que a cultura acompanhe as nossas transformações e também falar que existem muitas formas de ser gaúcho.
Além disso, o espetáculo possui músicas autorais e releituras de clássicos gaúchos revisitados. A valorização do ser humano e do presente, em uma era digital também é tema.
— A gente quer passar para as pessoas que para que a cultura e a tradição estejam vivas, ela precisam estar em movimento — explica.
A exibição faz parte da programação do Sesc em Movimento, evento que busca refletir a tradição em transformação. Os ingressos são gratuitos, mas precisam ser retirados no e-commerce do Sesc pelo link.
Quem é Emily Borghetti

Filha do músico Renato Borghetti e da bailarina Cadica Costa, Emily começou a dançar ainda muito pequena na Cadica Cia de Dança, escola de dança da mãe. O primeiro contato que se recorda foi aos quatro anos, quando iniciou aulas de flamenco e chegou até a se apresentar na Feira do Livro de Porto Alegre.
— Eu sempre dancei muito nessa escola. E eu não sei dizer exatamente quando a coisa começa, porque minha casa sempre teve muita dança. Meus irmãos todos dançam, meu pai é músico e minha mãe é bailarina. Então, essa formação não vem só da escola, mas de casa também — conta.
A bailarina também explica que a sua relação com a cultura tradicionalista surgiu de CD's de música infantil gaúcha que a família possuía em casa. Ao ouvi-los, começava a dançar.
Essa aproximação gradual com a cultura tradicionalista fez com que ela se aproximasse do trabalho dos pais e os admirasse também como artistas. Além disso, eles se tornaram uma influência permanente para a bailarina nos seus trabalhos que seriam desenvolvidos dali pra frente.
— Eles são grandes inspirações. Sou muito fã do trabalho de ambos. A gente tem feito alguns shows juntos até. Isso me dá muita felicidade. São trabalhos que eu admiro muito e que me formaram. Eles sempre foram muito justos aos seus trabalhos, ao que eles acreditaram. E fazem trabalhos tão inovadores. É uma responsabilidade de fazer um trabalho sempre muito fiel — diz orgulhosa.





