
A oito meses do Carnaval 2027, os blocos de rua de Caxias do Sul deram início a um movimento inédito de articulação coletiva. Representantes dos nove blocos atualmente ativos na cidade formaram uma comissão para discutir desafios em comum e ampliar o diálogo com o poder público. Na última terça-feira (2), integrantes do grupo foram recebidos pelo presidente do Legislativo, Wagner Petrini (PSB), para apresentar as primeiras demandas.
A iniciativa nasceu de uma reunião realizada em maio. Foi a primeira vez em que os blocos se encontraram de forma independente para compartilhar experiências, dificuldades e perspectivas para seguir realizando a folia de rua. Participaram representantes do Bloco da Velha, Bloco da Ovelha, Desorkestra Montanhosa, Bloco da Farofada, Bloco da Mulekada, Bloco Viva Elas, Bloco Arco-Íris, Bloco Samba Show e Acadêmicos do Luizinho.
Entre as prioridades elencadas pelo grupo está a criação de um decreto municipal que regulamente os blocos de rua, a exemplo do que já ocorre em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, entre outras.
— A proposta é construir, junto à prefeitura e a diferentes setores da administração pública, um espaço permanente de diálogo para discutir regras e procedimentos específicos para os eventos. Embora sejam organizados de forma independente, os blocos representam manifestações populares e culturais que hoje acabam sendo enquadradas da mesma forma que eventos privados tradicionais —destaca Guilherme Martinato, do Bloco da Velha.
Além da regulamentação, a comissão pretende discutir formas de tornar os eventos mais seguros, organizados e adequados à realidade dos blocos. Martinato ressalta que o movimento não busca repasses diretos de recursos públicos para a realização dos eventos, mas sim reconhecimento institucional, segurança jurídica e melhores condições de organização.
— As dificuldades enfrentadas pelos organizadores costumam ser semelhantes, mesmo em eventos de portes diferentes, o que reforça a importância desta atuação conjunta. A suspensão do Bloco da Velha neste ano ajudou a acelerar a mobilização, mas a criação de uma representação coletiva já era um passo natural diante da trajetória que o Carnaval de rua construiu na cidade — acrescenta.
Como encaminhamento da reunião na Câmara, ficou alinhada a realização de um novo encontro nas próximas semanas, que deve contar com a participação do prefeito e de representantes de secretarias como Cultura, Turismo, Trânsito e Segurança Pública. A expectativa é avançar na formalização de uma comissão permanente, reunindo poder público e sociedade civil, para construir soluções conjuntas e fortalecer a organização dos blocos para os próximos carnavais.



