
É verdade que a apreciação de uma obra de arte passa pelo olhar. É fato. Mas está longe de ser uma verdade absoluta. Afinal, a fruição atravessa também os outros sentidos. Diante de uma obra, além de aguçadas a visão, a audição e o tato, o público é instigado a percorrer essa trilha, tecendo o próprio sentido por detrás da criação artística.
É essa amplitude de percepções que move a artista visual Natalia Bianchi, que abre nesta terça-feira (2) a exposição Cartografia em Baixa Luz: o que vibra sob a pele do mundo, na Galeria de Arte Gerd Bornheim, a partir das 19h. A entrada é franca.
— A escuridão não é ausência, mas campo fértil. Não crio esse universo como fuga da realidade, mas como acesso a uma outra camada dela, uma camada que insiste em vibrar sob a pele do mundo — diz Natalia, que escreveu também um texto que funciona como um “portal” para acessar esse universo — pode ser lido em um tecido exposto ou mesmo escutado, ampliando as possibilidades sensoriais.
A partir de sua experiência como pessoa com baixa visão, acromatopsia (ausência de visão de cores), e fotofobia (sensibilidade ou aversão excessiva à luz), Natalia desenvolve uma investigação sobre contraste, escuridão, vibração e presença. Em seus trabalhos, o preto deixa de ser ausência para tornar-se campo ativo — território onde cor, textura e luminosidade emergem como acontecimento e resistência poética.
A mostra reúne desenho, arte têxtil, projeção de imagens, escrita e sonoridade em uma investigação imersiva. Com curadoria de Alessandra Baldissarelli, fotografia e iluminação de Tatieli Sperry, audiodescrição de Glenda Lida Stigmamiglio e trilha sonora original de Benhur Lima, a exposição propõe um percurso de baixa luminosidade e aproximação sensorial, no qual linha, matéria, som e espaço conduzem o visitante.
“Ao adentrar a exposição, somos convidados a habitar uma zona liminar entre luz e sombra, interior e exterior, visível e invisível. Um espaço onde a imaginação se torna estratégia de sobrevivência — onde criar é sustentar a vida”, escreve Alessandra Baldissarelli no texto curatorial.
Ao sair da exposição, algo persiste. É como se, sob a pele, ficasse o resíduo do que os sentidos depuram. A mostra revela-se como um campo sensível, acessível por múltiplas camadas — porque ver é mais do que enxergar a luz.
PROGRAME-SE
- O quê: abertura da exposição Cartografia em Baixa Luz: o que vibra sob a pele do mundo, de Natalia Bianchi. Curadoria de Alessandra Baldissarelli.
- Quando: terça-feira (2), a partir das 19h. Visitação até o dia 26, de segunda a sexta, das 11h às 18h; sábados, das 10h às 16h.
- Onde: Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim (Casa da Cultura - Rua Alfredo Chaves, 1.333 - bairro Centro - Caxias do Sul).
- Quanto: entrada franca.


