
Festas em endereços não divulgados, com acesso restrito e convites limitados. Em Caxias do Sul, o estilo “rolê secreto” tem despertado a curiosidade de quem busca novas vivências para curtir a noite, fugindo das festas tradicionais.
A partir da necessidade de criar um espaço com identidade própria, os amigos — e agora sócios —, Pedro Costa, Votan Molossi e Vinícius Vieira criaram o Clu6. O espaço foi inaugurado há cerca de um mês. Mais do que uma casa de eventos, a ideia dos sócios é oferecer um ambiente diferente do que se encontra na noite caxiense.
— É para ser um lugar para movimentar toda uma cena da cidade que a gente entende que estava faltando — aposta o skatista e um dos sócios do Clu6, Votan Molossi.
Segundo os sócios o conceito da casa é criar um espaço onde as pessoas possam compartilhar gostos em comum a partir da música, da arte e do skate.
— O nosso objetivo é criar conexões. A ideia é começar entre pessoas que já se conhecem e, a partir disso, expandir — explica um dos sócios, Pedro Costa.
A divulgação dos eventos que eles promovem ocorre pelo Instagram. No entanto, a lista de convidados e o endereço permanecem em sigilo, estratégia que, segundo eles, instiga a curiosidade de quem busca novas vivências.
— É um evento mais exclusivo, mas a gente entende que isso tende a ampliar com o tempo — ressalta Pedro.

Festa secreta e surpresa
A busca por experiências mais exclusivas também tem movimentado outros espaços em Caxias do Sul, como a Shelter Pizza Bar, comandada pelos sócios Bernardo Comandulli e Gustavo Gazzola. Com a intenção de fazer uma festa diferente, meio no improviso, em 2022 eles reuniram alguns clientes e amigos para curtirem drinks entre uma música e outra.
— Foi um encontro bem legal. Depois, a gente resolveu fazer uma nova edição e tomou outras proporções, porque todo mundo queria participar. O pessoal queria saber como seria, mas a gente não queria abrir muito o leque — conta Comandulli.
Esse rolê secreto não tem datas definidas e a divulgação é limitada.
— A gente não tem nem agenda. Depende muito do clima. Se a gente não quiser, não tem. E, se a gente quiser, vai ter — brinca Gazzola.
Ou seja, quem estiver jantando no local ou bebendo um drink pode se surpreender pois, de uma hora para outra, um simples happy hour pode virar um rolê.
As festas da Shelter são produzidas pelos próprios donos, mas o espaço também pode ser disponibilizado para eventos. Casamentos, formaturas e aniversários estão entre as experiências que já passaram por lá.
— Para produzir ou organizar uma festa, a gente até abre o espaço, mas existe uma série de critérios — ressalta Gazzola.

Além das redes sociais, a divulgação é também na base do boca a boca
Apesar da certa dose de espontaneidade que surgem esses rolês alternativos, alguns promotores de eventos têm se especializado na realização de festas exclusivas. Um deles é o produtor caxiense Máximo Valentin, que de um tempo para cá vem apostando em formatos mais seletivos. Para ele, consumir entretenimento é viver uma experiência.
— Tu posicionas o evento de uma forma que determinadas pessoas vão entender — explica Valentin.
Muito mais do que vender um produto, a proposta é oferecer uma experiência de lazer e diversão. Por isso, ele aposta em formatos mais intimistas, escolhendo novos espaços, para conexões entre públicos diversos.
— Ser um produtor conectado com o público é estar preocupado em rodar na pista, falar com as pessoas e se colocar no lugar delas — avalia.
A divulgação dessas festas mais exclusivas ocorre de forma mais pessoal, principalmente entre amigos, redes de contato e pelo boca a boca. Como uma das estratégias de aproximação com o público, o produtor de eventos criou um perfil no Instagram, que reúne pessoas interessadas nesses eventos mais seletivos.
— Os meus eventos são divulgados de forma muito pessoal, com amigos, em encontros e também entre produtores. A gente conversa muito e troca público — confidencia Valentin.

Festas agradam por serem com menos público em espaços mais intimistas
A estudante do curso de Publicidade e Propaganda, Laura Miadaira Maino, 22 anos, acredita que esse tipo de rolê é uma oportunidade de se reunir com os amigos em um lugar diferente.
— É um ambiente onde tu consegues escutar música, conversar e, ao mesmo tempo, estar em uma festa. Acho que o legal é justamente juntar essas coisas — revela Laura.
Para ela, a vontade de participar desses encontros está ligada ao fato de encontrar pessoas que já fazem parte do seu ciclo social. Com menos público e espaços mais intimistas, os rolês acabam oferecendo mais comodidade e tranquilidade em comparação às festas mais abertas.
— Eu tenho amigas que já trabalharam como promotoras de festas, então as pessoas acabam conhecendo mais gente e os eventos vão se divulgando assim. Às vezes, alguém pergunta "tu vai nesse rolê?" e eu nem tinha visto ainda, mas uma amiga viu e me chamou — complementa.



