
A secretária municipal da Cultura de Caxias do Sul, Tatiane Frizzo, quebrou o silêncio e falou pela primeira vez nesta sexta-feira (8) sobre a polêmica sobre os possíveis cortes e impactos na pasta decorrentes ao decreto do governo Adiló Didomenico.
A justificativa da secretária por permanecer mais de 10 dias sem se pronunciar a respeito do assunto se deve ao fato de não querer "passar adiante nenhuma orientação que não fosse adequada". Tatiane se defende dizendo que esperava pela avaliação do comitê especial formado pelas secretarias de Receita, Administração, Gestão e Finanças, Procuradoria Geral do Município (PGM), Instituto de Previdência e Assistência Municipal (Ipam) e Casa Civil (representando o prefeito e o vice, Edson Néspolo).
— O decreto diz que todas as atividades deverão passar por um grupo que faz a avaliação. Como dar esses retornos (à população) sem ter a informação? Pois era esse comitê que deveria fazer a avaliação. Como surgiram dúvidas, quisemos nos certificar para não passarmos nenhuma orientação que não fosse adequada ou real — explica Tatiane, ressaltando que o documento orienta ajustes administrativos, reorganização de estrutura e enxugamento em todas as secretarias, não apenas na Cultura.
Durante este período em que o governo não se posicionava quanto a possíveis cortes ou paralisações de atividades, a Secretaria da Cultura informou nas redes sociais que suspenderia a audição de novos bailarinos da Cia Municipal de Dança, justamente por causa do decreto de cortes de gastos. A partir dessa publicação, artistas e produtores culturais foram às redes questionar se a suspensão da audição não poderia gerar mais cortes, interrompendo, por exemplo, as atividades da Cia, do Coro e da Orquestra de Sopros.
— Fico chateada, porque as pessoas divulgam coisas sem saber se são ou não reais. Nunca falamos ou divulgamos algo dizendo que as atividades iriam paralisar. Fizemos a postagem nas redes da suspensão da audição, porque estamos com um processo de contratação aberto, mas durante a vigência do decreto isso não será possível. Pegaram a publicação e geraram a desinformação de que os jetons (modalidade de pagamento) não seriam pagos. Na realidade, foi um achismo das pessoas.
Tatiane afirma que o secretário de Gestão e Finanças, Micael Meurer, acredita que a duração do decreto será de 90 a 120 dias. Após isso, a situação vai ser reavaliada, para determinar a manutenção ou suspensão:
— Vamos torcer para que seja revogado até agosto.

Manifestação de artistas
No vácuo de informações, ou como afirma Tatiane "de desinformações", um grupo de artistas organizou uma manifestação convocando a comunidade para participar do ato simbólico: o "Enterro da Cultura", em frente à prefeitura na próxima terça-feira (12). Mesmo se vier a ocorrer, o ato deve ser "esfriado" pela garantia da secretária em assegurar todas as atividades da pasta, inclusive mantendo abertos os espaços públicos culturais.
— Manifestações são importantes e legítimas, mas as pessoas precisam entender pelo que estão se manifestando — completa.

Novas rotinas de trabalho
Tatiane salienta que, até o momento, nenhuma atividade ou evento foi cancelado. Para manter a programação e os espaços abertos, a secretária diz que alguns servidores estão trabalhando com banco de horas, readaptando tarefas. Outras demandas, segundo ela, estão sendo garantidas por quem possui cargos de comissão (CCs).
— Estamos avaliando caso a caso (evento por evento), porque a Secretaria da Cultura se comprometeu com a Secretaria de Gestão e Finanças que tentaria diminuir ao máximo as horas extras. Por isso, criamos uma força tarefa de reorganização das atividades. Muitos falam dos CCs e muitos deles vem assumindo funções não técnicas. Um exemplo concreto é na Casa de Pedra. Antes, pagávamos horas extras para atender ao público no domingo. Agora, estamos fazendo rodízio de CCs, que foram treinados para fazer a apresentação. Por isso, vamos manter os museus abertos aos domingos, com a ajuda dos CCs — justifica Tatiane, dizendo que atualmente 13 CCs integram a Secretaria da Cultura.
Feira do Livro garantida
Um dos mais importantes eventos literários do Estado, a Feira do Livro de Caxias do Sul, "está garantida".
— A Feira do Livro é um dos principais eventos e ações da Secretaria da Cultura. É prioritária para o governo. Mesmo supondo um cenário crítico, ainda assim sabemos que há comprometimento da administração com a sua realização. A Feira é uma prioridade minha enquanto gestora da pasta — garante.

Reorganização administrativa
Em meio a esse turbilhão, deixou a Secretaria da Cultura a produtora cultural Cristina Nora Calcagnotto, que ocupava a função de secretária adjunta. No lugar dela foi empossado o líder comunitário e produtor cultural, Elvino de Oliveira Santos.
— Celebramos nesse momento, apesar de tudo isso que veio a partir do decreto, a vinda do Elvino para ser nosso adjunto. Ele tem bastante experiência na Cultura e está nos ajudando com um olhar crítico, até porque ele tem uma vivência grande na arte e cultura popular. Com a vinda dele, vamos fazer uma reestruturação administrativa, mexer em alguns departamentos. Vamos trabalhar nisso nos próximos 30 dias — revela.





