
Período de transição física, emocional e comportamental, a adolescência exige um olhar atento e cuidadoso para a saúde. É comum, no entanto, que o acompanhamento médico regular dos jovens se torne um desafio para as famílias. Ocorre que muitos já não se sentem à vontade para ir ao pediatra, ao mesmo tempo em que os clínicos gerais não possuem foco para as demandas da puberdade.
A quem recorrer então? Embora ainda pouco conhecido, o médico hebiatra é o profissional dedicado à saúde integral dos adolescentes. Conforme o Ministério da Saúde, esta etapa da vida vai dos 10 aos 19 anos, 11 meses e 29 dias. A juventude, por sua vez, acontece entre 15 e 24 anos. A definição segue o que é convencionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O adolescente tem várias necessidades de atenção, que vão desde o crescimento até o desenvolvimento sexual, passando também por toda a questão emocional.
ANGELA RECH CAGOL
pediatra especialista em hebiatria
Pediatra há 25 anos, a médica de Bento Gonçalves Angela Rech Cagol realizou a especialização em hebiatria no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ela conta que o interesse por se aprofundar no tema surgiu a partir da experiência pessoal com os filhos e também ao perceber que muitas famílias deixavam de frequentar o consultório quando o paciente alcançava os 11 ou 12 anos.
— O adolescente tem várias necessidades de atenção, que vão desde o crescimento até o desenvolvimento sexual, passando também por toda a questão emocional. É uma fase que pode ser muito difícil, em que eles mesmos e a família não estão preparados. O que eu vejo no consultório hoje é muita demanda grande de questões sobre a sexualidade, uso de drogas e até mesmo o conflito com os pais — aponta a médica.

O acolhimento é uma das práticas essenciais no consultório. Por isso, a médica conta que dedica parte da consulta para atender o adolescente sozinho, sem o acompanhamento de um adulto. A intenção é oferecer protagonismo ao adolescente e gerar um vínculo de confiança.
— O cérebro do adolescente é diferente da criança. Por ter uma produção muito acelerada de dopamina, ele tende procurar por coisas ilícitas em muitos casos. Precisamos fornecer informação, orientação, para que ele possa seguir por um caminho sem tropeços — opina a médica.
Impactada pelo movimento Wellness, a nova geração busca por um estilo de vida voltado aos exercícios físicos e ao bem-estar. Demanda que também chega ao consultório dos hebiatras:
— Nós fazemos essa orientação para que busquem um condicionamento físico acompanhado por um personal trainer e orientamos quanto a suplementações, como o whey protein (proteína extraída do soro do leite que ajuda no desenvolvimento muscular) e o risco de uso de anabolizantes — detalha a médica.
A periodicidade dos atendimentos na adolescência é variável, dependendo das necessidades e do perfil do paciente.
Nessa fase de desenvolvimento do corpo, de crescimento, precisamos ter exercícios, precisa se movimentar e ter mais atividades.
ANDRESSA BRESOLI
fisioterapeuta
Atenção para a postura!
É comum que adolescentes dediquem mais tempo às telas, como celulares e computadores, para acesso a redes sociais e jogos online. Os hábitos podem levar à má postura e ao sedentarismo, provocando dores e impactando o desenvolvimento. É neste cenário que entra em cena outro profissional bastante relevante para esta etapa da vida: o fisioterapeuta.
— Nessa fase de desenvolvimento do corpo, de crescimento, precisamos ter exercícios, precisa se movimentar e ter mais atividades — aponta a fisioterapeuta Andressa Bresoli, que é especialista em Ergonomia e mestre em Exercício e Saúde.
Em uma avaliação individualizada e ampla, o fisioterapeuta identifica questões como postura, mobilidade, alongamento, força, além do tempo dedicado aos exercícios físicos.
— Conseguimos fazer testes para identificar isso e conduzir da melhor forma: tanto orientar para fazer fisioterapia preventiva, corretiva para postura ou então indicar o exercício que é mais adequado. Além disso, sempre incentivamos a prática esportiva, porque é bastante importante tanto para a saúde corporal quanto para a socialização, que é essencial para essa fase — detalha Andressa.
Eu acho imprescindível a conversa de nós, pais, com os nossos filhos.
SOLANGE MICHELON CIVARDI
mãe da Beatriz, 10 anos, e do Bruno, 16
Diálogo aberto e apoio de especialista são aposta dos Civardi

Mãe dos estudantes Beatriz, 10 anos, e Bruno, 16, a moradora de Bento Gonçalves Solange Michelon Civardi vive de perto a mudança comportamental e física dos filhos, especialmente o primogênito.
Considerado tranquilo e estudioso pela mãe, Bruno vivencia um comportamento típico dos adolescentes, o isolamento.
— Eu percebi que ele começou a ficar mais no quarto dele, não quer mais passear, viajar com a gente. Quer ficar mais sozinho — detalha Solange.
Mas foi o desejo de frequentar a academia que motivou a mãe buscar orientação médica especializada para esta fase:
— Eles querem ganhar músculo, eles têm problema de espinha, eles querem fazer academia... No consultório (da hebiatra), eu vi um acolhimento de tudo isso que era minha necessidade — diz.
Além do atendimento médico regular, Solange e Leonardo apostam no diálogo aberto e sincero com os dois filhos. Temas como menstruação, uso de álcool e anabolizantes não são tabus.
— Eu acho imprescindível a conversa de nós, pais, com os nossos filhos. Até porque a internet está aí, está tudo na palma da mão deles. É melhor que eles fiquem sabendo e conhecendo por nós. Qualquer dúvida, eles sabem podem contar conosco para conversar, para compartilhar — menciona.



