
Cursos gratuitos voltados a crianças e jovens da periferia de Caxias do Sul têm ampliado o acesso à educação e criado novas oportunidades de desenvolvimento. As iniciativas oferecem formação em áreas como idiomas, tecnologia e habilidades pessoais, com o objetivo de estimular a inclusão social, reduzindo desigualdades. Além do aprendizado, os projetos buscam fortalecer perspectivas de futuro para os participantes que, em muitos casos, enfrentam limitações de acesso a cursos de qualificação.
Entre as iniciativas está o projeto Rise Up - Inglês na Periferia, liderado pela professora Iazana Matuella, que desde 2019 oferece aulas gratuitas de inglês para crianças, adolescentes e adultos em comunidades periféricas de Caxias do Sul. A proposta surgiu a partir da percepção de que o ensino de idiomas no Brasil ainda é restrito a quem tem condições financeiras de pagar por cursos particulares.
— A gente sabe que quem acaba atingindo um nível de aprendizagem que pode utilizar o inglês é quem tem condições financeiras. A ideia foi socializar esse acesso, para que outras crianças e jovens também tenham essas oportunidades — afirma Iazana.
A proposta é descentralizada, sem sede própria, priorizando parcerias com organizações sociais. A finalidade é levar esse conhecimento o mais próximo de onde reside o público alvo do projeto. Atualmente, as atividades ocorrem em espaços como a Fluência Casa Hip Hop (bairro Santa Fé), o Projeto Semente Conquista (bairro Santa Corona), além de turmas abertas à comunidade em uma espaço cedido pelo Centro de Cultura Ordovás (bairro Panazzolo), e também em parcerias com a ONG Construindo Igualdades.
As aulas são ministradas por professores voluntários e organizadas conforme a demanda de cada instituição parceira. Nos últimos anos, o projeto tem priorizado a formação de turmas com adolescentes, a partir dos 12 anos, como forma de garantir maior continuidade no processo de aprendizagem. A metodologia adotada busca aproximar o ensino da realidade dos alunos, com atividades práticas e conteúdos conectados ao cotidiano deles.

Desde a criação, mais de 200 participantes já foram certificados, e o projeto acumula parcerias com diferentes organizações comunitárias. Apesar do reconhecimento nas comunidades atendidas, a iniciativa enfrenta limitações para expandir o número de turmas, principalmente pela falta de recursos financeiros e de equipe.
Segundo a coordenação, há apoio das instituições parceiras, que reconhecem a importância do projeto e oferecem espaço para a realização das aulas. No entanto, ainda há dificuldade em ampliar o suporte, especialmente por parte da comunidade em geral e do poder público, que nem sempre considera necessário investir em iniciativas complementares ao ensino de idiomas já oferecido nas escolas públicas.
Rise Up - Inglês na Periferia
- O programa de ensino de inglês ocorre de forma descentralizada, sem sede própria, priorizando parcerias com organizações sociais. Desde a criação, mais de 200 participantes já foram certificados.
- Atualmente, as atividades ocorrem em espaços como a Fluência Casa Hip Hop (bairro Santa Fé), o Projeto Semente Conquista (bairro Santa Corona), além de turmas abertas à comunidade em uma espaço cedido pelo Centro de Cultura Ordovás e em parceria com a ONG Construindo Igualdades.
- Os professores de inglês que desejarem atuar como voluntários podem entrar em contato através do perfil do Instagram @riseup.inglesnaperiferia ou pelo WhatsApp (54) 99159-4379.
Arte e inclusão ganham espaço nas periferias
Outra iniciativa que vem trabalhando para abrir novas portas de oportunidade é a Residência Vielas – Arte e Inclusão Social. A iniciativa, que já passou por Porto Alegre, está sendo realizada no bairro Euzébio Beltrão de Queiroz desde de março, com oficinas que seguem até maio, reunindo crianças, adolescentes e adultos em processos de criação coletiva.
Em Caxias do Sul, as atividades ocorrem no Vielas Espaço Cultural, com programação que inclui oficinas de arte com sucata, grafite, música, produção audiovisual e tranças afro.
De acordo com o presidente do Vielas, Fernando Morais, o cronograma das oficinas foi estruturado conforme a demanda do público inscrito, adaptando horários e faixas etárias para atender melhor a comunidade. As inscrições foram realizadas de forma online, com prioridade para moradores da região e estudantes da rede pública.

Na primeira etapa do projeto, em Porto Alegre, cada oficina chegou a reunir cerca de 30 participantes. Em Caxias do Sul, a média varia entre 20 e 25 alunos por turma. Diferentemente de outras iniciativas voluntárias, os oficineiros são profissionais contratados pelo projeto, garantindo a condução das atividades ao longo do período.
De acordo com Morais, a principal proposta é democratizar o acesso à cultura e levar experiências que dificilmente chegariam às periferias. A ideia é oferecer atividades conectadas ao cotidiano dos participantes, promovendo inclusão social por meio da arte.
— Então, a nossa ideia foi trazer oficinas que realmente tenham a ver com o dia a dia das crianças e de quem participa. É uma forma de levar uma atividade gratuita pra dentro da comunidade. Não chega a ser um curso formal, mas é algo diferente, que, se eles fossem buscar em outro lugar, provavelmente teriam que pagar — afirma.
As oficinas iniciaram no dia 11 de março e, ao final do ciclo formativo, os participantes receberão certificados. A programação se encerra no dia 23 de maio, com o Festival Residência Vielas, que vai apresentar ao público os trabalhos desenvolvidos durante o projeto, premiando três participantes com troféus criados pelo artista plástico Andrigo Martins.
Em meio aos desafios enfrentados nas periferias, os idealizadores dos projetos dizem que iniciativas como essas reforçam o papel da educação e da cultura como ferramentas de transformação social. Ao ampliar o acesso a oportunidades gratuitas, os projetos não apenas desenvolvem habilidades, mas também despertam novos olhares sobre as perspectivas de futuro, mostrando que, quando o conhecimento chega, ele abre caminhos que vão muito além da sala de aula.
Residência Vielas
- Desde 11 de março, o projeto Residência Vielas - Arte e Inclusão Social está promovendo oficinas gratuitas de Arte com Sucata, Arte e Inclusão Social, Fotocerâmica, Grafite, Música (Beatmaker), Produção de Vídeos com Celular/Empoderamento Audiovisual e Tranças Afro.
- Ao final do ciclo formativo, os participantes receberão certificados.
- A programação se encerra no dia 23 de maio, com o Festival Residência Vielas, que vai apresentar ao público os trabalhos desenvolvidos durante o projeto, premiando três participantes com troféus criados pelo artista plástico Andrigo Martins.
- Mais informações pelo perfil do Instagram @vielasespacocultural



