
Museus, galerias de arte e espaços expositivos abrem suas portas para estabelecer uma ponte, mesmo que metafórica, entre os artistas e o público. Geralmente, ambientes mais inclinados à arte contemporânea, como é o caso do Centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul, que abraça jovens artistas, em sua maioria experimentais, apresentam ao público mais de uma exposição ao mesmo tempo. Nem sempre, contudo, há um fio condutor que as aproxima — seja direta ou indiretamente.
No entanto, quem for nesta sexta-feira (10) ao Ordovás para visitar as exposições Vazios no tempo: a espera in-finita, de Verlu Macke e AtRito, do Coletivo Estúdio Rito, vai se surpreender. Apesar das temáticas distintas, curiosamente, as obras conversam entre si, unidas por um fio condutor invisível. É a poética que une as produções da Verlu com as dos artistas do coletivo como Demytrius Meneghetti de Pieri, Juliana Cagliari Stefani, Kewin Grando, Lara Bazzo e Thiago Quadros.
Enquanto Vazios no tempo, à mostra na Galeria de Arte, provoca o público a refletir sobre “qual é o lugar da espera que uma cadeira evoca?”, do outro lado do Ordovás, na Sala de Exposições, AtRito revela ao espectador, além das obras em si, os “fragmentos vivos de seu processo”. Não seria, pois, uma outra forma de poetizar sobre o tempo? Essa é a ponte que aproxima as obras da Verlu com as produções dos artistas do Coletivo Estúdio Rito.
“Tendo referências reais ou fictícias, Verlu Macke propõe uma reflexão sobre o tempo e a relatividade desse tempo entre infindáveis segundos, minutos ou horas de espera e os anseios de liberdade contidos nas lembranças de uma infância que sempre está presente, apesar da vida adulta”, escreve Silvana Boone, curadora de Vazios no tempo.
Por sua vez, Nicole Martinato, curadora da mostra AtRito, revela: “rito é a palavra que costura tudo. Não como algo sagrado no sentido religioso, mas como aquilo que nos liga ao tempo, ao corpo, à matéria e à memória, um fio que une criação e presença”.
Sentar numa cadeira e permanecer à espera, apesar da imobilidade, também é uma forma de atravessarmos o tempo. Nessa jornada, o silêncio e o vazio despertam quais sentimentos? Ou ainda, com quais devoções constituímos nossos ritos?
Diante das obras, cada um vai estabelecer suas conexões a partir das experiências que acumula — com maior ou menor sensibilidade. Contudo, é impossível ficar indiferente ao conflito entre finitude e permanência a que somos submetidos através da fruição das investigações poéticas contidas em Vazios no tempo e AtRito.
Programe-se

“AtRito”, do Coletivo Estúdio Rito
- Quando: abertura nesta sexta-feira (10), às 18h30min. Em cartaz até 10 de maio.
- Onde: Sala de Exposições (Centro de Cultura Ordovás - Rua Luiz Antunes, 312 - bairro Panazzolo - Caxias do Sul).
- Classificação indicativa: livre

“Vazios no tempo: a espera in-finita”, de Verlu Macke
- Quando: abertura nesta sexta-feira (10), às 19h. Em cartaz até 10 de maio.
- Onde: Galeria de Artes (Centro de Cultura Ordovás).
- Classificação indicativa: livre.



