
Turismo, direito, indústria, imigração, memória e identidade. Temas distintos, que começaram como ideias, pesquisas ou vivências e encontraram no livro um caminho para circular. É assim que, há 50 anos, a Editora da Universidade de Caxias do Sul (Educs) transforma saberes em livros, aproximando a produção acadêmica da população.
Criada na década de 1970 para difundir pesquisas desenvolvidas na universidade, a editora renovou seu papel ao longo do tempo. Hoje, além de dar visibilidade ao saber científico, tornou-se referência no registro da história das pessoas, entidades e cidades da Serra gaúcha.
— Nem todas as universidades possuem editora ou conseguem manter esse trabalho por tanto tempo. Chegar aos 50 anos não é algo comum nesse meio. Esse marco foi construído com mais de dois mil livros publicados, que ajudam a contar histórias e a compartilhar conhecimento qualificado — destaca a coordenadora da Educs, Simone Côrte Real Barbieri.
Desde 1976, quando lançou seu primeiro título, a editora soma cerca de 1,7 mil livros impressos e outros 600 em formato digital, todos disponibilizados gratuitamente no catálogo online. As obras são selecionadas pela relevância dos temas e pela qualidade do conteúdo, reunindo diferentes áreas do saber.
Com uma média de 150 publicações por ano, a editora trabalha atualmente na produção de cerca de 50 livros. O catálogo reúne poesia, materiais didáticos, pesquisas acadêmicas, dissertações, obras técnicas e narrativas construídas a partir de experiências e vivências, assinadas por autores da UCS, de outras universidades e por escritores da comunidade.
Como nasce um livro
Transformar uma ideia em livro é um processo que envolve muitas mãos. Depois da conclusão da obra, o ponto de partida é a avaliação do original por um conselho editorial, atualmente formado por 12 integrantes de diferentes áreas do conhecimento. Em até 20 dias, o autor recebe um parecer, que pode trazer sugestões ou pedidos de ajustes.
Com o projeto aprovado, começa a etapa de produção: capa, projeto gráfico e diagramação são pensados em diálogo com o autor, enquanto a equipe de revisão trabalha o texto, cuidando da ortografia, da estrutura e da clareza.
— Não existe um livro igual ao outro. Cada projeto exige um olhar atento às especificidades do conteúdo. A arte, o ritmo das páginas, os detalhes gráficos: tudo é pensado em conjunto para criar uma identidade própria. Quando chegamos à versão aprovada pelo autor, o material segue para a gráfica ou é publicado no site — explica Simone.
Mesmo depois da primeira versão pronta, o trabalho não termina. Antes de chegar ao público, cada obra passa por cerca de dez revisões. O cuidado da equipe segue minucioso, em busca de possíveis falhas que serão ajustadas até que o exemplar chegue às mãos dos leitores.
Cinco décadas de transformações
Atualmente, a Educs conta com uma equipe formada por diagramadores, revisores e profissionais do setor administrativo, responsáveis por organizar e dar forma às ideias que chegam à editora. O grupo cresceu com o aumento da produção, que por sua vez também ampliou as vozes e os temas presentes no catálogo.
Questões como autismo, inteligência artificial, mudanças climáticas e identidade feminina dividem espaço com pesquisas acadêmicas consolidadas e narrativas construídas a partir da experiência.
— A editora nasceu impulsionada pela pesquisa. O primeiro livro publicado, Imigração italiana no Nordeste do Rio Grande do Sul, inaugurou uma linha que hoje reúne mais de 300 títulos sobre o tema. Mas, com o tempo, ampliamos esse olhar. Hoje, todo mundo é bem-vindo como autor, desde que traga conhecimento qualificado — afirma a coordenadora da Educs, Simone Côrte Real Barbieri.
Um dos exemplos mais recentes dessa abertura é o livro Aves do Sul do Brasil, assinado por Arthur Pansera Einhardt, de apenas 11 anos. A publicação integra um conjunto de obras que passaram a ganhar espaço com a criação de selos editoriais temáticos, que trazem novas classificações e possibilidades de histórias a serem publicadas.
Pluralidade de vozes
Diferentemente das editoras comerciais, a editora universitária não mede seu impacto pelo lucro, mas pela criação de uma comunidade leitora e a capacidade difundir o conhecimento, seja ele produzido no âmbito universitário ou fora dele.
— Sendo parte de uma universidade comunitária, temos como base fundamental do nosso trabalho o compartilhamento de vivências. Publicamos no ano passado o livro Era uma vez na comunidade quilombola Volta Miúda junto com o pessoal, que narrou sua trajetória. Foi emocionante ver aquela realidade ganhar projeção e poder ser acessada por qualquer pessoa — recorda Simone.

Concurso literário celebra os 50 anos da editora da UCS
Para ampliar esse manancial literário e celebrar os 50 anos da editora, a Educs lançou um concurso comemorativo. As narrativas, que podem ser no formato de conto, poema ou crônica, devem versar sobre alguma história, seja real ou fictícia, que narre a passagem de cinco décadas, no passado ou no futuro.
As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de abril, neste link. Os textos selecionados irão compor uma coletânea, que será lançada na edição desse ano da Feira do Livro de Caxias do Sul.
Como participar
- O quê: Concurso literário comemorativo aos 50 anos da Editora da Universidade de Caxias do Sul (Educs).
- Tema: a partir do tema Meio século de história os interessados deverão escrever narrativas que se relacionem com a ideia de 50 anos, seja no passado ou futuro.
- Gênero: crônica, conto ou poesia (reais ou fictícios).
- Prazo: as inscrições até o dia 30 de abril neste link. Os textos selecionados irão compor uma coletânea, que será lançada na Feira do Livro de Caxias do Sul.


