
Projeto que propõe a adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em Caxias do Sul o desafio de escrever as respectivas histórias e sonhos através da linguagem do hip-hop e da pajada, o RAPajador na Socioeducação começa nesta terça-feira a sua quarta temporada.
Até o dia 25, o rapper Chiquinho Divilas, o acordeonista Rafael De Boni e o DJ Hood irão ministrar uma série de palestras, oficinas e sessões de gravação do material original gerado durante as atividades.
Estão contempladas no projeto as unidades locais do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), Centro de Atendimento em Semiliberdade (Casemi) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Em cada um desses locais as atividades ocorrem ao longo de três noites, finalizando sempre com um espetáculo de apresentação das músicas produzidas.
Para Chiquinho Divilas, um dos pilares do projeto é buscar contribuir com as equipes que atuam dentro destas unidades, num trabalho incansável de buscar a ressocialização e a reinserção dos jovens condenados por atos infracionais:
– É cada vez mais urgente explicar o que é a socioeducação e a sua importância: trata-se de responsabilizá-los por seus atos, sim, mas também promover a compreensão das consequências, reduzir a reincidência e ampliar as possibilidades de reintegração social. Não tem a ver com “passar pano”. Dados mostram que a reincidência diminui quando há integração entre adolescente, família e sociedade. O ato infracional não surge no vazio: é fruto de contextos de exclusão, negligência e ausência de políticas públicas.
A diretora do Casemi Caxias do Sul, Alexandra Bittencourt, reforça a importância do projeto na ampliação dos horizontes dos adolescentes atendidos na unidade, que será a primeira a receber as atividades, entre terça e quinta-feira:
– É uma grande satisfação para a unidade de semiliberdade de Caxias receber a quarta edição do Rapajador. É um projeto único, que envolve os adolescentes em experiências e vivências com a produção literária e musical, aproximando as linguagens do hip hop e do tradicionalismo gaúcho, para romper preconceitos e rótulos.
O projeto, que em 2023 levou seus realizadores a Brasília para receber menção honrosa na categoria Demandas Complexas ou Coletivas do prêmio Conciliar é Legal, na sede do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conta com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Caxias do Sul.



