
Já virou tradição. O festival que abre a temporada cultural em Caxias do Sul é o Cinema de Verão. Idealizado pelo cinéfilo de mão cheia Robinson Cabral, o evento chega à 12ª edição consagrando a produção cinematográfica brasileira, com títulos diversos.
Fazem parte da programação deste ano filmes com personagens populares como Mazzaropi e Grande Otelo, em meio a obras consagradas pela crítica como Pacarrete, em que Marcélia Cartaxo ganhou o Kikito de melhor atriz no Festival de Gramado, em 2019.
— A primeira sessão pública de Pacarrete no Brasil foi em Gramado. Já tínhamos exibido em Xangai (China), mas o Festival de Gramado nos trouxe uma grande emoção. Fomos aplaudidos em cena aberta, o que nunca tinha acontecido no festival. Na saída, o público continuou a ovação depois de um longo aplauso na sala de cinema. Foi tocante — recorda Marcélia.
Além do Kikito de melhor atriz, a produção cearense levou mais sete prêmios: melhor filme, direção, roteiro, desenho de som, júri popular e de melhores ator e atriz coadjuvantes para João Miguel e Soia Lira.
Quem estiver curioso para ver (ou rever), Pacarrete será exibido sexta-feira (6), às 20h, em um dos pontos turísticos de Caxias do Sul, o Largo da Igreja de São Pelegrino. A obra conta a história de uma professora de dança aposentada que sonha estrelar um balé no aniversário de sua cidade natal, Russas, no Ceará.
Na entrevista a seguir, as atrizes paraibanas Marcélia Cartaxo e Soia Lira, que contracenaram em Pacarrete, falam sobre a obra e do atual momento do cinema brasileiro.

O que mais toca vocês em “Pacarrete”, ainda hoje?
Marcélia Cartaxo - Pacarrete é uma personagem supercomplexa. Foi, depois de Macabéa (protagonista de A Hora da Estrela), o maior desafio na minha carreira. Ela tem uma idade avançada, o que necessitou um trabalho difícil de maquiagem que corria o risco de ficar muito caricatural, como o tom da voz que tive de criar para dar profundidade à personagem. Mas encontramos o equilíbrio. Me apaixonei por ela na primeira leitura do roteiro. Foi um presente para mim. É uma história universal. Em qualquer parte do mundo tem um artista lutando pelo seu espaço e principalmente pelo desejo de mostrar seu trabalho. Não importa a idade.
Soia Lira - O roteiro é maravilhoso e Allan Deberton fez uma bela direção. Com muita sensibilidade, ele conseguiu uma afinação perfeita entre Marcélia, Zezita Matos e eu. O filme é comovente e tocou muito o público e a crítica. Uma obra memorável. Pacarrete é uma estranha naquele contexto. É uma artista fora do lugar com seu desejo de mostrar sua arte “nobre”. Ela representa o artista em luta para mostrar a sua arte num contexto desfavorável. Essa ingenuidade dela nos comove. Não deixa de ser a luta de todos nós artistas.
Como vocês imaginam a sessão do filme em Caxias do Sul?
Marcélia Cartaxo - Uma das melhores sessões de Pacarrete foi ao ar livre no Festival de São Miguel do Gostoso, no litoral do Rio Grande do Norte, com uma plateia em espreguiçadeiras, sob a luz das estrelas e recebendo a brisa do mar. As pessoas se emocionaram com uma tela gigante e som maravilhoso. Foi lindo. Acredito que será também em Caxias do Sul.
Soia Lira - Eu adoraria estar na plateia para ver a reação do público. Eu sonho com esses momentos de compartilhar nosso trabalho com o público. É essa a função da arte, chegar até seu público e presenciar isso é estimulante para meu trabalho de atriz. É um filme que deve ser visto por todos. E tenho certeza de que em Caxias do Sul não será diferente.
E o sucesso do cinema brasileiro atual, como vocês enxergam a repercussão internacional?
Marcélia Cartaxo - O cinema brasileiro tem conquistado o mundo e fico muito feliz com isso. Hoje todos esses feitos do nosso cinema têm uma repercussão muito maior do que quando ganhamos. As redes sociais amplificam nossas conquistas com muito maior força. Isso é muito bom.
Soia Lira - O cinema brasileiro está vivendo em estado de graça. O reconhecimento internacional de Ainda Estou Aqui e, agora, de O Agente Secreto chama a atenção do mundo para o Brasil. Saber que um desses filmes vem de Recife nos deixa muito orgulhosos. A produção cinematográfica se democratizou e saiu do eixo Rio-São Paulo há tempos. As políticas públicas favoreceram para que todos os estados brasileiros pudessem produzir seus filmes. E Pacarrete é um desses filmes, uma produção cearense que ganhou também o mundo.
ÚLTIMAS SESSÕES

Veja a seguir a agenda dos últimos filmes a serem exibidos na 12ª edição do Cinema de Verão, em Caxias do Sul. Lembrando que toda a programação é gratuita e se inicia às 20h.
Segunda-feira(2)
"Aviso aos Navegantes - Oscarito e Grande Otelo"
- Horário: 20h
- Local: Praça Dante Alighieri
Terça-feira (3)
"Dois filhos de Francisco"
- Horário: 20h
- Local: Praça de Ana Rech
"Filhas da Noite"
- Horário: 20h
- Local: Teatro do Sesc
Quarta-feira (4)
"Deus é Brasileiro"
- Horário: 20h
- Local: Praça de Galópolis
"O Clube dos Anjos"
- Horário: 20h
- Local: Biblioteca Parque da Fundação Marcopolo
Quinta-feira (5)
"Dois filhos de Francisco"
- Horário: 20h
- Local: Praça de Forqueta
"Enigmas no Rolê"
- Horário: 20h
- Local: Teatro do Sesc
Sexta-feira (6)
"Pacarrete"
- Horário: 20h
- Local: Largo da Igreja de São Pelegrino
Sábado (7)
"Lisbela e o Prisioneiro"
- Horário: 20h
- Local: estacionamento da Prefeitura de Caxias do Sul
Domingo (8)
"Nada Será como Antes: A Música do Clube da Esquina"
- Horário: 20h
- Local: estacionamento da Prefeitura de Caxias do Sul



