
Luis Armando Nicolao, hoje com 50 anos, fez do nome do avô materno sua identidade artística e foi com ela que alcançou o sucesso nacional no início dos anos 2000. Depois de vender mais de 100 mil cópias, com direito a disco de platina entregue ao vivo em programa de TV, Luigi Mangini agora é "só" Luis, mora em São Paulo, trabalha em uma empresa de desenvolvimento de tecnologia assistiva, é pai e engajado na causa das pessoas com deficiência. Esse, aliás, é o único motivo que o faz retornar esporadicamente aos palcos.
O músico, que nasceu em Xanxerê (SC), mas sempre morou em Caxias do Sul e tem raízes em Farroupilha, se apresenta no dia 12 de setembro na Vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha, para celebrar os 10 anos do projeto Mão Amiga no município.
Cada volta aos palcos, como ele explica, é carregada de motivos nobres. Luigi Mangini não cobra cachê, só se apresenta em eventos de cunho social e para auxiliar causas como a despertada nele após o nascimento da filha Bella, há 10 anos, com Síndrome de Down.
— Nas últimas semanas antes dela nascer, a perspectiva era de que a gestação não fosse concluída. Entrei em um processo não só de orar, mas de ser íntimo a Deus. O problema existia e tinha solução. Ela nasceu saudável e isso me marcou tanto que dei um novo rumo para a minha vida — conta Luis.
Mas foi ainda antes de Bella nascer que o processo de reduzir o ritmo de apresentações se iniciou. As viagens e a energia que o palco demandava cansaram o cantor, que inaugurou no país, com músicas autoriais, um gênero que trazia elementos do eurodance, tecno music e bachata.
— Foi uma fase bem produtiva. Eu era muito introspectivo, tinha dificuldade em me comunicar e quebrei alguns bloqueios com a música. A maior riqueza foi o networking construído e que acaba sendo mais valioso do que o dinheiro. Mas não tinha uma gestão do volume de trabalho com a qualidade de vida. Física e mentalmente comecei a pagar um preço bem caro. Em um determinado momento, não adiantava sucesso nem dinheiro, me via em uma condição de esgotamento. O caminho estava aberto e construído, mas dentro de mim algo dizia que não era por aí e que a missão era outra.
Em São Paulo, onde na época fixou residência para ficar mais próximo das apresentações, Luis começou a trabalhar em uma empresa que desenvolve produtos para auxiliar na funcionalidade e inclusão de pessoas com deficiência. É a chamada tecnologia assistiva:
— Fui contratado e vi que o futuro que tinha pela frente era esse. Compor uma música é uma inspiração que vem de uma outra dimensão. O Luigi na verdade é um personagem, o Luis é um cara totalmente diferente. Costumo dizer que foi o avatar que me ajudou a desenvolver minha comunicação. A principal missão que o Luigi fez na minha vida pessoal foi possibilitar toda essa caminhada.
No entanto, convites para voltar a produzir e se apresentar não faltam, segundo o cantor, que foi convidado pelo próprio frei Jaime Bettega, presidente da Associação Mão Amiga, para vir a Flores da Cunha. A amizade vem ainda da época do seminário — sim, Luigi Mangini poderia ter sido padre.
— Temos um vínculo muito forte, minha avó se considerava uma madrinha dele, e sonhava que eu fosse padre. Eu tenho um freio, porque convites para shows não faltam. Embora seja bastante sedutor, é uma coisa que não consegue me tirar do meu rumo.
Portanto, se você for conferir a apresentação da noite de 12 de setembro, saiba que Luigi Mangini estará atendendo a um convite especial e trabalhando pela causa que passou a orientar sua vida:
— No palco, é o mesmo Luigi de 20 anos atrás, um pouco mais maduro, mas com a mesma energia e emoção. É um show para as pessoas relembrarem a juventude quando descobriram o primeiro amor em uma fase de sentimentos aflorados. Mas, mais do que isso, uma ação de contribuir com o Mão Amiga.
O show beneficente comemora uma década do Projeto Mão Amiga Flores da Cunha, que desde 2015 oferece apoio a crianças de zero a quatro anos em situação de vulnerabilidade social e garante o acesso à educação infantil por meio de vagas em escolas particulares.
O evento será realizado no Centro de Eventos da Luiz Argenta Vinhos Finos (Avenida 25 de Julho, 700), com início às 20h30min. Os ingressos são limitados, custam R$ 100, e estão à venda na plataforma Revin.




