As pinturas e grafites que colorem os muros de diversas casas no bairro Euzébio Beltrão de Queiroz, em Caxias do Sul, agora são reconhecidas como Museu de Arte Regina Rodrigues Machado (MARM), pelo Ministério da Cultura.
Ao todo, são 65 obras catalogadas, mas ainda há perspectiva de que esse número aumente. Até novembro, os voluntários do Vielas Espaço Cultural planejam finalizar o trabalho para lançar um catálogo do museu com nome do artista, tamanho do mural e material utilizado.
A ideia do museu surgiu com a proposta de transformar o território do Beltrão, gerando nos moradores o sentimento de orgulho e pertencimento.
Com a adesão dos moradores aos projetos culturais propostos, o bairro ganhou características de museu de arte independente. Segundo o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o local mantém um acervo permanente e próprio, ressignificando o conceito de galeria. Ao mesmo tempo que valoriza seu território e assume um papel de percurso estético, político e histórico.
— É mais uma conquista do bairro, que vem se transformando desde 2022. Muito em relação aos projetos de cultura e arte que foram implantados. Esse museu vem acompanhando as mudanças relacionadas ao campo das relações sociais que os projetos vêm permitindo ao bairro. E também a ampliação do conceito de patrimônio cultural, porque esses painéis já fazem parte do cotidiano do bairro — analisa a voluntária do Vielas Espaço Cultural, Catiuscia Xavier.
A proposta do museu a céu aberto busca estimular a presença de pessoas em suas ruas, becos e vielas e expandir a realização de ações culturais e educativas, que chamem a atenção para a realidade diária, a fim de estimular a percepção da cultura local como agente de transformação.
— A gente vê até a mudança do comportamento dos moradores do bairro. Eles passaram a ter mais orgulho do lugar onde eles moram. A gente percebe a mudança até no cotidiano do bairro, que desde o seu início sempre foi muito marginalizado. Vemos as pessoas quando vão visitar, a gente promove essa ligação da cidade com a favela. Para as pessoas verem que ali tem trabalhadores, crianças que estudam, gente que é formado... Para desmistificar essa coisa que tem em torno das periferias, de que são muito carentes, mas também são muito potentes — observa a voluntária.
Quem é Regina Rodrigues Machado?
- Como uma homenagem à trajetória de assistencialismo e comunitarismo, o Museu a Céu Aberto foi nomeado como "Regina Rodrigues Machado".
- Ela, junto do marido Florêncio Machado, fixaram residência em Caxias do Sul em 1950, na então "Zona do Cemitério", em uma casa feita de tábuas de madeira, doadas pelo padre Eugênio Giordani, pároco da Igreja de São Pelegrino.
- Dona Regina foi inserida no contexto do assistencialismo social à comunidade quando, junto de outras moradoras, fundou o Clube de Mães, mantido com auxílio da Irmã Dolores Piazza, do Noviciado São Carlos, localizado nas imediações.
- Auxílios e doações de alimentos enviados ao bairro eram recebidos, organizados e distribuídos por Dona Regina. Pelo menos em um dia da semana, ela reunia as crianças para irem ao Noviciado, onde recebiam uma refeição, brincavam e participavam de atividades educativas. Em época de Carnaval, costurava fantasias para as crianças da Vila e as levava até o Sport Club Gaúcho.
Como visitar
Para visitar o museu, o Vielas Espaço Cultural promove o "Graffitour", um passeio guiado pelas ruas e becos do bairro para que os visitantes possam conhecer mais sobre as obras de arte e também sobre a história do território.
Para participar, basta entrar em contato com o Vielas pelo Instagram ou pelo e-mail vielas.espacocultural@gmail.com e agendar uma visita.
A rota começa no muro lateral do Cemitério Público Municipal, com duração aproximada de duas horas. O trajeto tem morros e escadas e a caminhada é de cerca de um quilômetro. Durante o percurso, o guia faz paradas para idas ao banheiro, hidratação e café na sede do Vielas.
Há três modalidades de visita:
- Educacional: para instituições de ensino (sem taxas);
- Turística: individual ou em grupo (R$20);
- Experiência na favela: individual ou em grupo (R$30);
Também é possível fazer uma visita online. Acessando o site com um mapa interativo, algumas das obras podem ser conferidas. Basta clicar no ícone para ver imagens, nome do autor e quando a pintura foi feita.
O Vielas também aceita contribuições voluntárias para manutenção dos espaços e para sustentação dos projetos.


