
Autor de quatro livros de crônicas e coautor de algumas coletâneas de contos, o escritor caxiense Lúcio Humberto Saretta estreia na poesia com O cão e o violão, obra que será lançada nesta quinta-feira no Zarabatana Café, em Caxias. Não se trata, no entanto, de uma primeira experiência poética para Saretta, letrista na banda de rock em que toca há 30 anos, a Aliança Rebelde. O apreço pela rima e o cuidado com a métrica são características que o lado compositor emprestou ao poeta nos 70 poemas que compõem o volume, que sai pela editora paulista Gataria.
Ao viajar por um novo gênero literário, Saretta também deixa de lado a temática esportiva que permeia suas obras anteriores, como Alicate contra Diamante (2007) e Lições da Barbearia (2013) e se permite divagar sobre amores, sobre o tempo, sobre a relação do homem com a natureza. Divagações que também têm a ver com o próprio fazer poético.
– Pegar um caderno, um lápis e uma borracha para esboçar um poema é bem diferente do que ligar o computador e abrir o Word. Da mesma forma, para escrever as crônicas sempre me servi de uma biblioteca que construí de livros que contam a história dos esportes, dos atletas, enquanto que a poesia surge mais da observação contemplativa, de deixar os pensamentos fluírem mais soltos – reflete.
Foi dessa maneira mais descompromissada com o viés jornalístico da crônica que surgiram poemas como o que dá nome ao livro, em que o cão e o violão surgem como que para simbolizar a natureza e a arte:
– O violão é para o músico o que a tela é para o poeta, o que a página em branco é para o escritor. É o refúgio do artista. O cão, por sua vez, representa tudo aquilo que nos consola num mundo hostil. É como a natureza que surge como a fuga para a melancolia cinzenta da cidade. Este poema, especificamente, tem a ver com o alívio que a gente procura após sofrer com a ingratidão do amor. O cão e o violão jamais serão ingratos – comenta o dono da cadelinha Pipa.
Inspirado por Walt Whitman, Lord Byron e Augusto dos Anjos, Saretta também bebeu na fonte de um amigo e ex-colega de faculdade, o porto-alegrense Fabrício Limberger:
– Acho que os bons poemas às vezes são aqueles que te arrebatam sem tu entender exatamente porquê. É algo que o poeta deixou no ar, entre o dito e o não dito, mas que te toca profundamente. Os poemas do Fabrício provocam isso e, de certa forma, me inspiram.
O lançamento será às 17h, com sessão de autógrafos, atendendo aos protocolos de segurança sanitária. O livro estará à venda por R$ 40. Também é possível adquirir a obra no site da editora ou diretamente com o autor, pelo e-mail luciosaretta@yahoo.com.br.
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