
Não foi só o valor alocado para o Financiamento da Arte e Cultura Caxiense (Financiarte) — tradicionalmente o principal fomento à produção artística em Caxias do Sul — que diminuiu este ano, dos R$ 600 mil disponibilizados ano passado para R$ 150 mil este ano: o número de projetos, que em 2017 chegou a 184, caiu para apenas 23 este ano, oito vezes menos.
O número foi divulgado na tarde desta sexta-feira pela Secretaria Municipal da Cultura, logo após findar o prazo para cadastramento de projetos, às 16h. Os inscritos ainda terão de passar pela análise da documentação e, depois, pela análise de mérito.
— Isso já era esperado. O valor disponível é mesmo desestimulante, é um fato — analisa o produtor cultural Claudio Troian,
Também nesta sexta, foi divulgada a reabertura das inscrições para interessados em compor a Comissão de Avaliação e Seleção do Financiarte (Casf), que teve apenas dois inscritos — são necessários 14. Isso, para Troian, é ainda mais preocupante.
— É um descontentamento da categoria, uma revolta silenciosa — diz, torcendo para que com a prorrogação do prazo mais interessados apareçam, para não deixar o sistema morrer.
Desde o ano passado, membros da comunidade cultural caxiense reclamam do sucateamento do Financiarte. Como comparação, em 2016 o valor destinado aos financiamentos foi de R$ 2 milhões, contemplando 71 projetos. Ano passado, foram 18 projetos contemplados, e neste ano, deve diminuir ainda mais — pelo valor disponível, deve ficar entre quatro e, no maximo, dez.


