
Descendentes do imigrante italiano Felice Veronese, que chegou ao Brasil em 1882, bem como os de seu irmão Francesco, emigrado em 1915, reuniram-se no último dia 15 de agosto para celebrar uma trajetória com ramificações espalhadas por todo o Brasil.
O encontro contou com 67 familiares, provenientes de Salvador (Bahia), Brasília, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre e interior do Rio Grande do Sul (Santa Maria e Santo Ângelo), bem como de Caxias do Sul.
O grupo encontrou-se no famoso Casarão dos Veronese, casa de pedra concluída por Felice em 1898, em Otávio Rocha, interior de Flores da Cunha. Ali, foi apresentada a árvore genealógica da família, retroagindo ao século XVII na Itália (Trento e Schio).
O trabalho, conduzido pela pesquisadora Maria de Lourdes Veronese Rodrigues, contou com a projeção de um audiovisual e de fotografias históricas, além de uma roda de conversa no auditório – onde diferentes gerações dos Veronese trocaram informações sobre avós, tios e primos.
O CASARÃO
Conforme informações repassadas pela família, o casarão de 1898 – em pedra basalto, dotado de três pisos e com cantina para produção de vinhos – teria sido uma das primeiras moradias rurais a dispor de janelas providas de caixilhos com vidros.
Ali, Luiz Veronese, o filho primogênito do casal Felice Veronese e Domenica Sbabo Sella, viu a necessidade de melhorar a qualidade dos vinhos e sua conservação, a fim de chegarem preservados ao mercado consumidor. Químico autodidata, Luiz passou a aproveitar os subprodutos do vinho, como seus cristais residuais, para obtenção de sais químicos para a indústria alimentícia.
Logo, foi o Casarão dos Veronese o berço da indústria química, fundada por Luiz em Caxias do Sul, em 1911. Já em 1918, seus irmãos Henrique e Attilio entraram como sócios na companhia – que opera até hoje, somando 115 anos de existência.

HISTÓRIA E GASTRONOMIA
:: Vendido em 1920, após o falecimento de Felice, o imóvel foi propriedade de diferentes famílias (Schio, Galiotto) ao longo do século 20, mas sempre permaneceu identificado como o “Casarão dos Veronese”.
:: Desapropriada pela prefeitura de Flores da Cunha, a edificação começou a ser restaurada em 2015 e foi entregue à comunidade em 2017 - durante o restauro, inclusive, foram encontrados diversos objetos do cotidiano do lugar, hoje preservados e expostos.
:: Aberto ao público, o Casarão dos Veronese sedia eventos e recebe visitantes e turistas interessados em história e boa mesa. O restaurante Villa Bistrô oferece gastronomia típica italiana, com almoços aos sábados e domingos.
Informações: (54) 2222.0039 e Instagram @casarao_veronese.
HOMENAGENS
No encontro dos Veronese também foram homenageados familiares que se destacaram na pesquisa e registros da descendência, assim como a trajetória de parentes de gerações anteriores:
:: NELLY VERONESE MASCIA, neta de Felice Veronese e falecida em 1992. Autora do livro “De uma imigrante nasce um químico”, sobre a vida e obra de seu pai, Luiz Veronese. Também é autora da poesia sobre o antigo Casarão dos Veronese, transcrita em uma de suas salas.
:: ALCIDES FRANCISCO VERONESE, falecido em dezembro de 2025 e neto de Francesco Veronese. Advogado radicado em Porto Alegre, foi historiador das gerações pregressas e colecionador de objetos da família – o que possibilitou, a partir de foto e endereço antigos, o estabelecimento de contato com primos descendentes de outros irmãos de Felice e Francesco que permaneceram no Vêneto italiano. A pesquisa permitiu ainda a localização da casa de pedra onde nasceram os dois imigrantes, na contrada do Monte Raga, em Magrè – pertencente ao município de Schio, na província de Vicenza.
:: MARIA DE LOURDES VERONESE RODRIGUES, bisneta de Felice Veronese e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). Pesquisadora da origem e da genealogia da família, é autora de dois livros sobre os descendentes dos Veronese da Contrada Raga, retroagindo sua pesquisa até o século XVII e levando-a até os dias atuais, com o nascimento dos tataranetos mais novos.



