
“Dedico este livro aos meus antepassados, que criaram a base para que minha vida florescesse, e aos meus descendentes, que trouxeram ainda mais flores à minha vida”.
Assim inicia a biografia de Elma Turra Bocchese, livro que ela estará distribuindo aos familiares neste sábado, durante a celebração de aniversário – dona Elma completou exatos 100 anos nesta sexta.
Nascida no antigo Hospital Carbone em 10 de julho de 1926, Elma acompanhou praticamente todas as mudanças pelas quais Caxias passou desde que as ruas ainda eram de chão batido. Em meio a centenas de lembranças, detalha como a trajetória de seus antepassados italianos moldou os valores que carregou ao longo da vida.
O livro começa com a emocionante saga de seus avós paternos, Giovanni Baptista Turra e Maria Boff. A família deixou a Itália em busca de uma vida melhor no Brasil, mas enfrentou uma sucessão de tragédias.
Dois filhos morreram durante a travessia de navio, e Giovanni faleceu em um acidente de trabalho em São Paulo, no mesmo dia em que a família embarcaria para o Rio Grande do Sul. Grávida e viúva, Maria precisou reconstruir a vida sozinha.
Dessa história nasceu o caçula João Turra, pai de Elma, cuja coragem e espírito empreendedor marcaram profundamente as gerações seguintes.


OS PAIS
Filha de João Turra e Eugênia Vidor Turra, Elma cresceu em uma família numerosa, típica da colonização italiana. Ela recorda da infância cercada pelos irmãos, especialmente Julieta, sua grande companheira, e Zila, a irmã mais nova – que, em 1958, consagrou-se como Rainha da Festa da Uva.
Também rememora a prosperidade adquirida pelo pai com a serraria e a fábrica de cadeiras, o incêndio que destruiu todo o patrimônio da família em um Natal e a impressionante capacidade de seus pais de recomeçarem do zero, transformando novamente o trabalho em prosperidade – João foi um dos fundadores da antiga Cooperativa Madeireira Caxiense.

A FAMÍLIA
Destaque do livro é a história ao lado de Mario Oswaldo Bocchese, com quem Elma casou em 15 de setembro de 1951 e viveu durante 56 anos. Dona Elma relata a alegria da maternidade, a dedicação à casa e aos filhos – Marília, Walter e Lisia – e também os momentos mais difíceis da vida, como as diversas despedidas familiares.
Ao longo da narrativa, dona Elma também compartilha recordações de viagens pelo Brasil e pelo exterior, do prazer em cozinhar, costurar, dirigir (o que fez até poucos anos atrás) e reunir a família nas festas de Natal.
Hoje, orgulha-se de ver o legado seguir vivo através dos netos e bisnetos, celebrando a continuidade da história iniciada por seus antepassados italianos.
Parabéns!



MOTORISTA AOS 17 ANOS
O livro também resgata curiosidades como a proibição da língua italiana durante a Segunda Guerra Mundial, a chegada das primeiras geladeiras e os automóveis - Elma aprendeu a dirigir aos 17 anos, algo totalmente à frente das moças dos anos 1940:
“Certo dia, meu pai disse: ‘aquele carro novo lá fora eu vou deixar para as mulheres aqui em casa’, referindo-se à minha mãe, Julieta, Zila e eu. Então, com 17 anos, eu já dirigia pela cidade. Foi incrível ter essa liberdade, uma independência que admirei por toda vida”.

LEGADO
A biografia de Elma, intitulada Uma Vida Inteira, é uma produção da Legado Histórias de Vida, que já lançou mais de 100 obras biográficas, inclusive a história de 91 anos de dona Nilva Randon, apresentada no último sábado, em Caxias.


