
Em tempo de Copa do Mundo e de apostas nos campeões, recordamos da bolada que movimentou a freguesia do lendário bar A Cigana, situado na Av. Júlio de Castilhos, defronte a então Praça Ruy Barbosa. Foi em junho de 1958, ano em que o Brasil levou a taça de campeão mundial pela primeira vez, vencendo a Suécia.
O concurso era simples: ao consumir na casa, o freguês dava seu palpite sobre os diversos jogos da rodada em um papelzinho, posteriormente depositado em uma urna. Matéria na edição de 14 de junho do Pioneiro detalhou a primeira fase, quando foram escrutinados 3.207 cupons:
“Agora, com a realização da Copa do Mundo, o esportista engenheiro Bruno Rossi ofertou Cr$ 10.000 ao acertador dos vencedores da primeira rodada. Como não houve acertador, o prêmio ficou para a rodada a ser efetuada amanhã, pela Copa do Mundo”.
As imagens desta página trazem o momento da apuração dos palpites, ocorrida em 9 de junho de 1958. A convite de Sady De Carli, proprietário do bar “A Cigana”, participaram Bruno Rossi - o patrocinador da Bolada Copa do Mundo -, o jornalista Heráclito Limeira, os radialistas Jimmy Rodrigues e Ary Dornelles, além dos senhores Clovis Sperandio e Sadi Zini, da Liga Caxiense de Futebol.


IMÉRIO KUHN
O escrutínio revelou a má argúcia do torcedor caxiense, tendo a bolada ficado em poder dos patrocinadores, conforme detalhou o Pioneiro da época:
“O que mais se aproximou da vitória foi o senhor Imério Kuhn, com seis jogos perfeitamente certos e dois absolutamente errados. Na contagem dos palpites, foi verificado que, pelo certame metropolitano, foram colocados apenas 824 cupons (a bolada maior estava no outro), enquanto que pelo campeonato mundial, com um prêmio de Cr$ 10.000, foram escrutinados 2.383, isso em apenas dois dias e meio de concurso”.

OS VENCEDORES
A Bolada Copa do Mundo voltou a estampar as páginas do Pioneiro em 29 de junho de 1958, desta vez destacando os grandes vencedores: o advogado Ítalo Balen e o senhor Joaquim Boeira de Lemos. O concurso, porém, havia sido readequado:
“Primeiramente eram exigidos apenas a assinalação dos vencedores, ocasião em que o prêmio era patrocinado pelo engenheiro Bruno Rossi. Como não saísse o prêmio em jornadas difíceis de acertar, foi ele transferido até a rodada da última terça-feira, com o jogo Brasil x França (5x2) e o autor do primeiro gol brasileiro (Vavá), além do prélio Suécia x Alemanha (3x1). Não contando mais com a colaboração do engenheiro Bruno Rossi, o sr. Sady De Carli resolveu arcar com os Cr$ 10 mil, a fim de não decepcionar sua vasta freguesia, que então acorreu em massa, depositando em apenas quatro dias 4.122 palpites. Nesse bolo havia dois bem certinhos, assinados pelos senhores Ítalo Balen e Joaquim Boeira de Lemos, aos quais foi dividido o prêmio das 10 “amarelinhas” e mais pullovers, oferta da Malharia Caxiense, e um guarda-chuva, oferta da Indústria de Guarda-Chuvas Caxiense”.



