
Esta quinta-feira é mais do que especial para a família do senhor Gervis Damian. Nascido em 15 de janeiro de 1926, ele chega aos 100 anos “sem entregar a rapadura”, como vem dizendo nesses últimos tempos. A expressão, aliás, é uma das tantas que compõem a coleção de frases espirituosas do aniversariante – impressas em placas, elas serão uma das atrações do almoço do centenário, no próximo sábado. Frases e histórias, aliás, não faltam nessa trajetória.
Filho de Giovani Batista Damian e Dozolina Vetorazi Damian, Gervis veio ao mundo no interior de Santa Catarina, na pequena cidade de Treze de Maio. Como era comum naquela época, acabou sendo registrado em cartório somente um ano depois, quando nasceu a irmã mais nova – era um tempo em que a vida se media pelo nascer e pelo pôr do sol, e o coração das famílias batia no ritmo da terra. Foi nesse ambiente de trabalho, fé e união que Gervis cresceu, junto dos sete irmãos.
Tempos depois, o pai adquiriu terras na localidade de Rio do Cedro. Conforme recordado pela família, a viagem para a nova terra foi feita em um carro de vaca – e não de boi –, para que eles tivessem leite fresco e pudessem alimentar as crianças durante o caminho. Já no início dos anos 1940, uma grande seca se abateu sobre aquela região, impulsionando uma nova migração.
Gervis seguiu com o irmão mais velho para trabalhar nas minas de carvão de Criciúma. Voltou tempos depois, arranjando um emprego de auxiliar de marceneiro na localidade de Maracajá. Na sequência, o jovem deixou o lar dos pais em busca de novos horizontes, agora pelas bandas da Serra Gaúcha.



JANEIRO DE 1954
O destino levou Gervis primeiramente a Canela, onde ele atuou em uma fábrica de móveis a partir de 1947. Depois, a Caxias do Sul, onde chegou em 15 de janeiro de 1950, no exato dia de seu aniversário de 24 anos. Por aqui, firmou a vocação de marceneiro e o talento nato para os negócios.
Como dispunha de ferramentas próprias, Gervis foi imediatamente admitido na antiga Industrial Madeireira. Após a experiência adquirida ali, em 1954, montou uma pequena marcenaria, produzindo móveis sob encomenda. Foi o embrião das outras empresas de Gervis: a Marcenaria Andrade Neves, a Móveis Man e a Móveis Mirage Ltda.
É do estande da Mirage na Movelsul a imagem abaixo, dos anos 1990, quando Gervis recepcionou empresários e políticos como Alceu Collares (C) e Dagoberto Lima Godoy (D).


A FAMÍLIA
O primeiro contato de Gervis com a jovem Júlia Argenta ocorreu na praça de Canela, em finais dos anos 1940 – Julia passava um final de semana com amigas na Região das Hortênsias.
O encontro não passou de uma conversa amistosa. O destino, porém, “deu uma forcinha”. Tempos depois, eles voltaram a se encontrar, agora durante um passeio de roda gigante na Festa da Uva de 1950.
Logicamente, toda essa história deu em casamento. A união veio sete anos depois, em 1957, nascendo a partir daí os filhos Vera Lucia, Vera Mari, João Luis, Marcia e Nilva, que lhes deram os netos Guido, Jonas, Ariel e Raíssa, e os bisnetos Alana, Amanda, Alice, Ravi, Camile e Jasmine.
Gervis ficou viúvo de Júlia em 2021. Foram 64 anos juntos.


"O HOMEM DA PRESSA"
Seu Gervis “corria tanto” - para sustentar a família e fazer a empresa de móveis crescer - que os filhos achavam que era normal todos os pais trabalharem assim: de manhã, de tarde e de noite. Ativo como era, ficou conhecido na cidade como “o homem da pressa”.
Já aos 70 anos decidiu parar de trabalhar, mas a decisão não durou mais do que 15 dias - Gervis acabou criando uma nova empresa de representação de materiais de construção. Para exercitar a mente, fazia cálculos de cabeça e guardava os telefones de todos os clientes na memória.
Atualmente, diverte-se coordenando a produção de frutas e verduras na chácara de São Brás… e “sem entregar a rapadura”.

