
Tal como os prédios do Cine Ópera e da Vinícola Mosele, o Hotel Menegotto foi um dos tantos imóveis históricos da área central que sucumbiram nos anos 1980 e 1990, época em que as leis de proteção e tombamento ainda engatinhavam na cidade – assim como a consciência diante da importância dos bens culturais edificados.
Após 22 anos sob o comando do casal Ricardo e Décima Martini, o Menegotto encerrou as atividades em março de 1982 – proprietário do imóvel, Antonio Bonalume já vinha sinalizando aos arrendatários o interesse em demolir o prédio desde 1980. Assim foi. Cinco meses após o fechamento, Caxias perdia uma das edificações mais emblemáticas do entorno da Praça Dante Alighieri.
Conforme matéria do Pioneiro de 12 de agosto de 1982, na véspera, o prédio situado na Rua Marquês do Herval, entre o Cine Guarany e o Banco do Brasil, já estava praticamente destruído, restando apenas as paredes externas.
A reportagem também destacou que, três meses antes, Bonalume havia informado que preservaria o hotel, inclusive providenciando uma reforma no madeirame interno (fotos abaixo). O desinteresse, porém, falou mais alto. No dia 11 do “mês do desgosto” começou a demolição.




OPINIÃO DE PAULO BERTUSSI
Um dos maiores críticos ao descaso do poder público e à negligência aos imóveis históricos da cidade naqueles tempos foi o arquiteto Paulo Bertussi – que, inclusive, questionou o então Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico sobre a demolição do Menegotto. Bertussi foi incisivo ao comentar o caso, conforme consta na matéria de 12 de agosto de 1982.
“Esse episódio vem revelar mais uma vez o menosprezo dos homens públicos de Caxias pelos prédios antigos. A comissão que foi constituída, com exceção de representantes de entidades, não passa de um amontoado de neófitos e incompetentes, que já demonstraram, no caso da demolição da Vinícola Mosele, nada entenderem sobre patrimônio histórico. Pior do que isso, fica claro que continuam sem aprender coisa alguma”.
Guardadas as devidas proporções – e as obrigações dos agentes públicos e privados de ontem e hoje –, o mesmo pode ser dito em relação ao complexo da antiga Vinícola Aliança, fundada em 1931.
Causa um misto de revolta e resignação passar diariamente pela Rua Feijó Jr. e ver o estado deplorável de abandono em que os prédios se encontram atualmente, após meses e meses de invasões, furtos, depredações, denúncias e – principalmente – descaso de quem deveria zelar pela história da edificação.
Neste finalzinho de 2025, ainda vale o lembrete: enaltecer o que foi construído em 150 anos de imigração italiana é muito mais do que discursar…

HISTÓRIA
:: O extinto edifício localizado na Rua Marquês do Herval, entre a Av. Júlio de Castilhos e a Rua Sinimbu, abrigou diversos outros estabelecimentos do setor hoteleiro. Originalmente de propriedade da família de Ambrosio Bonalume, o imóvel sediou também, nas três primeiras décadas do século 20, os hotéis Dante, Veiga e Mimoso – a família Menegotto reassumiu o negócio em 1943.
:: Surgido inicialmente com dois andares, o prédio passou por várias remodelações, principalmente após os incêndios de 1925 e 1929 – a estrutura consolidada, de quatro pavimentos, surgiu em 1925. Se tivesse sido preservada, estaria completando 100 anos.




