
Colchas, camisas, malhas, chambres, penhoares, edredons, roupas para senhoras, confecções para noivas e crianças, enxovais… Boa parte dos consumidores dos anos 1960 e 1970 certamente lembra ou guarda até hoje alguma peça produzida pela firma Acolchoados Duso - Indústria e Comércio, na Av. Júlio de Castilhos, 2.234, esquina com a Rua Marechal Floriano.
Surgida em 1960 – inicialmente em um casarão na Rua Garibaldi, entre a Júlio e a Pinheiro Machado –, a empresa rapidamente destacou-se no setor têxtil local, com a produção “puxada” pelos lendários acolchoados feitos artesanalmente. A manufatura Duso, porém, foi muito mais do que isso.
Sob o comando do senhor Angelo Duso e dos filhos Sergio e Ivo Duso, a firma também fornecia camisas para a “vizinha” Kalil Sehbe Indústria do Vestuário, revendia peças para lojas como Hermes Macedo e Pernambucanas, exportava para países como Paraguai e Bolívia, abastecia hotéis e expunha suas famosas colchas junto aos quartos que compunham os estandes da Industrial Madeireira na Festa da Uva.
Toda essa trajetória teve um revés em 25 de novembro de 1978, quando seu Angelo Duso sofreu um AVC dentro da empresa e acabou falecendo, aos 65 anos – o empreendimento seguiu com os filhos por mais alguns anos, até encerrar as atividades, em meados da década de 1980. Na memória afetiva da cidade, porém, ecoam até hoje as lembranças dos produtos. Mas não só deles.
Entram aí o minucioso ofício das bordadeiras e costureiras, o esmero na produção, o vaivém dos representantes comerciais e, logicamente, o atendimento familiar.

VISITA À FÁBRICA
Filha de Angelo Duso, Carmen Duso Ribeiro Mendes “cresceu” dentro da loja. Pela manhã, estudava no Colégio São José, À tarde, ajudava a mãe, dona Ada Andreazza Duso, a atender a clientela. Foi o período em que Carmen acompanhou o auge do negócio, uma loja de referência em roupas de cama.
Tempos depois, no final dos anos 1960, a então estudante de Geografia da UCS recepcionou um grupo de amigos de São Paulo – que havia conhecido durante um congresso em Vitória (ES). A fábrica e a loja dos pais, logicamente, entraram no roteiro da visita – e das compras – pelo Sul.
Na foto que abre a matéria, vemos o grupo defronte à firma, em 1968. Carmen aparece junto aos estudantes, ao pai, Angelo, aos irmãos, Ivo e Sergio, e à cunhada Sirlei Croda.

SALTOS DE CAMA
A imagem da fachada da empresa em 1968 também foi postada por Carmen Duso Ribeiro Mendes no perfil Caxias do Sul Contemporânea, do Facebook, despertando as mais diversas lembranças:
“Logo que cheguei nesta terra abençoada, Caxias do Sul, comprei vários acolchoados na loja Duso. Atendimento impecável dos proprietários”. (Adão Léo Silveira).
“Tínhamos peças da colchoaria Duso. Como chamavam na época, ‘salto de cama’, que, ao acordar, vestíamos sobre a camisola ou pijama”. (Jeanice Maria Negretto).

RARIDADE CAXIENSE EXPOSTA EM CURITIBA
Uma antiga colcha produzida pela empresa caxiense foi um dos destaques do 12º Quilt Craft Show – Festival de Artesanato e Artes Manuais, realizado em Curitiba, em setembro de 2024. Conforme a artesã Vanessa Zonta, responsável por expor a peça na feira, trata-se de uma uma colcha de Whole Cloth (tecido único) no cetim, uma raridade com mais de 50 anos (foto acima).
“Fiquei emocionada quando abri a caixa, foi impressionante encontrar e conhecer uma história tão rica”, disse Vanessa em seu perfil no Instagram. A peça, descoberta pela colega artesã Iza Bonatti em Pouso Redondo (SC), integra o acervo de uma moradora de Joinville.
Toda essa história, logicamente, acabou chegando até dona Carmen.
– Colocaram a foto no Instagram e me mandaram, daí eu falei que a fábrica tinha sido do meu pai e irmãos.




