
Fiz uma mentoria sobre comunicação não violenta meses atrás. Curiosa por natureza, pretendia saber mais sobre o assunto, mas também queria aprender a me conhecer melhor. E minha mentora — que já era uma amiga inspiradora —, Katy Boschetti, ajudou na construção dessa nova percepção sobre as situações desafiadoras e sobre mim mesma.
Explicou que situações de conflito surgem a partir de necessidades não atendidas. E essas necessidades são variadas: presença, inspiração, autonomia, liberdade, sentido, conexão, empatia, suporte, afeto, confiança, proteção, entre muitas outras. Ao serem negadas ou preteridas, provocam uma gama de emoções. E aí entra uma das partes mais interessantes para mim.
Precisamos aprender a identificar e nomear as emoções — como estudante de onomástica, sei bem sobre a relação entre nome e poder. As pessoas não estão apenas e sempre alegres ou tristes. Elas podem estar desanimadas, envergonhadas, revigoradas, apaixonadas. Podem, também, estar aborrecidas, cansadas, satisfeitas, animadas. Ou de vários outros jeitos. Sou fã da possibilidade de construir um léxico particular das emoções – e existe um livro infantil, Emocionário, que é bem fofo ao falar disso.
Outro aprendizado legal foi tentar separar o fato do sentimento, ou o que eu senti, do que eu vi/ouvi. Parecem indissolúveis, mas, ao serem vistos de forma autônoma, são a prova de que vemos o mundo como somos, não necessariamente como ele se apresenta. É um exercício interessantíssimo. Só que é preciso querer ver. E aí não dá mais para "desver".
Estive na Gramado Summit durante a semana e, entre muitas conversas e palestras assistidas, ecoou em mim o início da fala do Leandro Figueiredo, que não conhecia:
Levanta a mão quem usou alguma ferramenta de inteligência artificial nesta semana? (vários levantaram)
Agora levanta a mão quem parou para conversar e fez escuta ativa com alguém nesta mesma semana? (poucos sinalizaram afirmativamente)
E aí fica óbvio que parar para sentir, nutrir a empatia e se preocupar com o entorno são ativos fundamentais em um mundo hiperconectado que prega alta performance. É cada vez mais necessário saber gerir os sentimentos em situações inesperadas.
Anos atrás, li a entrevista de um renomado psiquiatra espanhol sobre a importância do “falar” e, em determinado ponto, versa sobre quais palavras estão na “caixa de primeiros socorros” dele: “Para mim, a palavra mais importante, profissional e pessoalmente, é ‘conte-me’, mas, para isso, você precisa estar disposto a escutar, e isso nem sempre acontece. Outra é ‘perdoe-me’: pedir perdão é fundamental, porque sem perdão não há futuro na vida”. Ele também comentou sobre o “te amo”, que é ótimo de escutar de alguém quando é verdadeiro (e falar também), mas que deveria ser muito mais praticado como expressão do amor-próprio.
