
Come algo, né?
Unhas pretas!
E aí, Bela Adormecida? Vamos levantar?
Não encontro meus óculos. Será que ficaram no apê?
Eu cavo e tu tira a terra, pode ser?
Deixa eu desenhar para te mostrar que são seis pontos e cinco espaços.
Caqui fica melhor descascado.
Temos que fazer os pinhões.
Já fiz a inspeção no quarto e não achei nenhuma aranha.
Foram fazer o quê? Consertar o telhado?
Me manda a foto da mão?
Pode ser carninha e salada.
Compra um tubo de PU cinza. E anel de cera. O lojista sabe o que é... Ah, e dois parafusos chumbadores.
Que bom ver as coisas acontecendo. Emoji de palminhas
Peraí que vou ver quanto paguei.
Vamos instalar as coisas quando?
Pode deixar as coisas aí.
Quer que eu pique as coisas?
Vamos anotar o que falta comprar.
Depois de duas semanas de reforma em um pequeno banheiro, que deixou todo o apartamento inabitável, percebi quão controversas são nossas emoções diante de um mesmo fato. O que, num primeiro olhar, parece um microuniverso de caos, se for olhado com um pequeno distanciamento mostra o privilégio do cuidado. Ando reflexiva (como sempre!), pensando que a caixa de louça do vaso quebrada na tentativa de recolocá-lo lembra o óbvio: nem tudo está no nosso controle — muito menos aquilo que parece estar. E é uma lição básica e difícil. Cronometramos nossas atividades para dar conta de tudo o tempo todo. Saímos de casa com a marmita, a roupa da academia, a nécessaire e uma roupa extra, caso apareça um compromisso no meio do caminho. Marcamos hora para bate-papos, conversamos olhando no relógio e marcamos almoços para otimizar reuniões — o que nos permite encaixar mais algum compromisso ao longo do dia. Nos acostumamos, porque é assim. Repetimos diariamente. Inevitável para quem tem boletos a pagar.
Por outro lado, é justamente a vida prosaica que acontece a maior parte do tempo. Aquela sem momentos de glamour, de pés descalços, com a roupa de ficar em casa, na carona para o trabalho, na ida rápida ao super. E apenas durante a ausência de fortes emoções ou momentos instagramáveis que a gente descobre se os dias estão valendo a pena, se a companhia é agradável, se a aposta foi acertada. É quando voltar para casa não se refere só ao lugar escolhido, mas a toda uma vida.



