
Ainda não consegui parar para assistir ao BBB 26 direito, mas o que vi já foi suficiente para me deixar apavorada. Não, não versarei sobre fofocas, comidas ou pequenas adaptações desta primeira semana. Tampouco discorrerei sobre o fato de o reality não ser erudito — sou fã de Thiaguinho, de Roland Barthes e considero inadmissível erudição ser algum “diferencial competitivo” no dia a dia. Quem a usa para se sentir melhor do que o outro já mostra ser bem limitado, né?
Meu ponto está centrado na primeira prova do líder, realizada na terça-feira (13). Um desafio de resistência que durou 26 horas e se tornou uma das quatro mais longas das 26 edições do programa.
Nela, cada um dos 20 jogadores, em um trampolim sobre uma piscina cheia de bolinhas coloridas e cartões com imagens de produtos, precisava cair na piscina e escolher um item sempre que a campainha tocasse. Aí voltava para o lugar de onde só poderia sair sob comando da organização. Deixar o posto antecipadamente o desclassificaria.
Eis que, bem antes de acabar a disputa, ainda na manhã de quarta-feira, um dos participantes passou mal. O ator Henri Castelli teve uma convulsão na piscina, sendo observado por outros seis participantes que restavam na dinâmica. O que me chocou foi ninguém ter pulado imediatamente para o ajudar. Alguns gritavam, outros choravam... Depois de um tempinho, apenas Alberto Cowboy foi acudi-lo.
A cena da falta de atitude é angustiante e diz muito sobre nossa sociedade: para não perder a chance de ganhar alguma coisa, as pessoas ignoram o sofrimento alheio. Paralisam.
Já pararam para pensar quantas pessoas podem estar gritando, de forma literal ou metafórica, à nossa volta sem que a gente decida escutar? Certamente tem um monte de gente pedindo ajuda, mas seguimos focados somente no nosso mundinho e optamos por seguir em frente. No fluxo.
Raramente o grito é tão perceptível quanto uma convulsão em frente a milhões de espectadores. Mas esse pedido de socorro aparece todo o tempo no cotidiano. Materializa-se num silêncio triste, numa ausência repentina, numa mensagem não respondida... E a gente permanece no trampolim e finge não ter percebido nada.
Não faltam provas de resistência na vida real, é fato — embora não existam câmeras ou prêmio milionário no final. Só resta a consequência: a decisão de não se movimentar para preservar um lugar que nem é tão confortável, mas que a gente se acostumou a defender, nunca termina com final feliz. Com medo de perder um pouco, a gente já perdeu demais. Não se sente tocado pela dor alheia, não desce do pedestal para agir sem racionalizar. Não arrisca pular na piscina, de roupa e tudo, mesmo com medo, mesmo sem saber nadar com perfeição.
Se as pessoas sequer conseguem parar um jogo para ajudar alguém convulsionando, talvez o que a humanidade esteja precisando urgentemente seja de um botão de emergência.




