
Existe algo curioso em observar tendências. Elas até parecem surgir do nada, mas sempre há um ponto de partida que, por mais que não saibamos ao certo, faz com que rapidamente uma nova onda se espalhe e ocupe espaços. Chame de moda, de mania, febre, hype, ou como preferir. Há sempre uma tendência avassaladora. E caso você esteja por fora do modismo do momento, permita-me contar: escolas afora, pais e mães disputam silenciosamente para descobrir qual filho tem o cabelo e a mochila mais maluca.
Eu sei, esse parágrafo nem pareceu fazer sentido. Mas eu juro: cabelos coloridos, penteados armados, brinquedos enrolados em tranças e engenhocas capilares foram a tendência até dias atrás. O “dia do cabelo maluco”, que já está incluso na programação de diversas escolas do país há mais de ano, desta vez recuou para que uma nova moda tomasse conta. Neste dia das crianças, o “dia da mochila maluca” incentivou que pais e filhos trabalhassem juntos para criar uma peça única, divertida e totalmente... Trabalhosa. E é aí que mora a graça da coisa.
Automaticamente lembro do cheiro da erva-mate que servia de “grama falsa” quando eu, criança, construía maquetes para os trabalhos de escola. Foi o gel de cabelo do meu pai que a gente usou para construir os rios, e aqueles bonequinhos de plástico que serviam de lembrancinha de aniversário simulavam as pessoas. E eu digo “a gente” porque meus pais sempre estiveram juntos, fosse erguendo uma maquete, fosse comprando de última hora a tal cartolina para ser usada no dia seguinte. Até porque, família é isso: estar junto, mesmo quando o mundo parece querer o contrário.
Em uma rápida pesquisa na internet, já é fácil encontrar mochilas malucas prontas — por preços ligeiramente salgados, é claro. E ao mesmo tempo que tenho visto mães e pais se desafiando nas customizações ao lado dos filhos, percebo a competição paralela daqueles que não só compram o artigo pronto, como também disputam entre si para ver quem fez a mais bonita, a maior, a mais diferentona. E, no fim, quando olho para todas aquelas mochilas extravagantes, vejo mais do que cola quente e purpurina — vejo o mesmo desejo antigo de caber num mundo que, desde cedo, nos ensina a competir até na hora de brincar.


