O esporte nacional não é o futebol. Não mais. O jogo dos onze contra onze só sobrevive como marketing ufanista. Vale para estampar a cara do Brasil lá fora, vendido como a eterna Pátria de Chuteiras, termo cunhado por Nelson Rodrigues, nosso lírico incurável, cronista que via poesia até no tropeço de um perna de pau. Já fomos o país do futebol.
Atualmente, o escrete Canarinho treme as pernas finas até para seleções como Japão, Venezuela e Zimbábue. Dizem, a salvação veio da Itália — país que não disputa uma Copa do Mundo desde 2014. Carlo Ancelotti, multicampeão mundo afora, acreditam, vai ser o nosso herói.
Ancelotti começou a atuar na casamata como auxiliar técnico do Arrigo Sacchi, chefe da Squadra Azzurra em 1994. Naquela Copa, Ancelotti, Sacchi, Baggio e sua turma padeceram diante da Seleção Brasileira, que levantou o caneco do tetra. Pois é, nosso herói de agora, outrora fora humilhado por Romário e mais dez. Outros tempos...
Hoje em dia, sempre que a Seleção Brasileira entra em campo, paira sobre nós, torcedores, a humilhação do 7 a 1. Desde aquela fatídica partida contra o rolo compressor alemão, no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, saudosa terra do Clube da Esquina, de Lô Borges e Milton Nascimento cantando “sei que nada será como antes”, ressoa tão somente pranto, raiva e desespero; a mesma triste e dolorosa lembrança de 1950, outro hecatombe do futebol Canarinho na Terra Brasilis.
Sonham os esperançosos que 2026 será o ano do hexa, de festa com purpurina e serpentina em pleno inverno. Contudo, em ano eleitoral — apimentam os pessimistas — o que todo mundo quer saber é que lado vencerá o cabo de guerra pelo uso da camisa amarela ou azul, tradicionais uniformes da Seleção Brasileira. Por mim, deveriam jogar de branco, pálidos como é apagado e sem graça o futebol dessa geração.
Assim que a bola rolar nessa Copa do Mundo, partida atrás de partida, os atletas Canarinhos vão precisar lutar não só contra os oponentes, mas, sobretudo, contra o estigma do humilhante 7 a 1, que só será sepultado na mesma moeda. Se bem que no câmbio do real contra o euro, arredondando, precisamos desembolsar 7 reais para comprar 1 mísero euro. Ou seja, vai levar muito tempo ainda para nos livrarmos dessa humilhação — dentro e fora das quatro linhas.
E mais uma vez os hermanos devem contar com Messi, o Extraterrestre. O último jogador a botar no bolso uma Copa do Mundo, praticamente sozinho. Pensa só no fiasco dos argentinos socando sete gols no escrete Canarinho. Pensando bem, quando a gente imagina que chegou no fim do poço, pode ser só uma terrível miragem. Que Deus, dizem ser brasileiro, nos defenda.






