
O jornalista e curador de arte, Ademar Roberto Sebben me procurou a fim de participar do debate sobre os rumos da cultura em Caxias. Sebben ocupa hoje um espaço na coluna assim como tem feito artistas e agentes culturais desde o início deste ano (veja mais abaixo).
Entre as questões levantadas, o cerne é responder: “Como Caxias do Sul pode ser protagonista na cena cultural do Estado, o que está faltando para que isso ocorra?” A maior parte dos depoimentos é centrado na necessidade de criação e condução de políticas públicas para fomentar o setor. Contudo, Sebben chama a atenção para um outro aspecto.
— O que é Cultura? – questiona o curador de arte, respondendo em seguida:
— Para alguns, como eu, cultura é comportamento.
Ou seja, para Sebben são as pessoas que precisam se abrir para o consumo das mais variadas vertentes e linguagens artísticas, sem preconceitos.
Já participaram do debate, opinando sobre os rumos da cultura os seguintes produtores e gestores. Clique no nome de cada um deles para saber o que pensam:
Veja a seguir, o depoimento completo de Ademar Sebben:

"Consumir o que nos é oferecido sem preconceitos"
A produção cultural local é merecedora de aplausos e incentivo. Afinal, alguém ainda lembra?, nossa cidade conviveu por um ano com o título de Capital Nacional da Cultura. Que nem Olinda, em Pernambuco, decretada pela ONU, Patrimônio Histórico, Natural e Cultural da Humanidade. Mas, o que é Cultura? Para alguns, como eu, cultura é comportamento. É óbvio que esse comportamento se move e se perpetua com o consumo. Afinal, a arte, em todas as suas formas de manifestação, é, basicamente, comunicação. Aí é que está o cerne da questão. Ainda não nos abrimos totalmente para compreender e (ou) interagir (consumir) com os meios e as mensagens que a arte insiste em nos oferecer (comunicar).
Então, para sermos uma cidade cosmopolita culturalmente precisamos consumir o que nos é oferecido sem preconceitos. Precisamos consumir cultura com mais afinco, procurando entender o que está sendo oferecido, independentemente do gostar, ou não. Talvez, como indivíduos, devamos nos tornar mais gulosos, exigindo sempre mais, buscando novos sabores, consumindo com prazer e querendo sempre mais. Um exemplo a ser seguido é a Jéssica De Carli (arquiteta). Foi lá e agitou tanto que colocou o bairro Beltrão de Queiroz no mapa das vanguardas culturais e, agora, ocupa uma das diretorias da Bienal do Mercosul prometendo trabalhar para que o evento seja consumido com muita educação.
ADEMAR ROBERTO SEBBEN é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especializações em Publicidade, Propaganda e Relações Públicas. Além disso, é curador de arte e se considera um consumidor cultural voraz.






