Enquanto os pombos defecam nos bancos das praças e os motoristas ignoram o pisca, uma penca de cientistas está desenvolvendo técnicas e procedimentos de melhoramento genético.
Pra quê? Num primeiro momento pra “fabricar” soldados à prova das piores armas, inclusive atômicas. No final da linha de produção, a preocupação é com a erradicação de doenças perversas como o câncer, o Alzheimer e as futuras pandemias.
Surfando entre esses extremos está um campo (minado) fabuloso (e bizarro), algo que a ciência chama de Human Augmentation. Assim ó, “é um campo de pesquisa e desenvolvimento que visa aprimorar as capacidades humanas — tanto físicas quanto mentais — através da tecnologia.” Essa é a explicação técnica.
Sendo mais direto, de um lado, isso pode ajudar pessoas com dificuldades de ganhos musculares, como em casos de recuperação pós-cirúrgica; por outro, é capaz de gerar uma hipertrofia muscular massiva (chamada Double Muscling) sem a necessidade de treinos exaustivos, além de uma queima acentuada de gordura.
Ou seja, num futuro breve, os donos de academia terão de ajustar seu mindset. Poderão simplesmente vender um produto “natural” à base do velho “puxar-ferro”, como nos primórdios da humanidade, ou atualizar seu negócio vendendo injeções milagrosas atendendo a um perfil de cliente que adora ficar saradão sem sair do sofá.
Nessa onda, que alguns andam surfando enquanto o mundo segue seu (desgovernado) rumo, os biohackers estão fazendo suas manobras (genéticas). Esses caras são como DJs mixando biologia e tecnologia pra otimizar o funcionamento do próprio corpo e mente. Mais do que super-humanos, esses caras querem reconfigurar o corpo. Por isso, a onda agora é mapear países com legislações mais “flexíveis” (sendo bem eufemista) em busca do chamado Turismo de Biohacking pra curtir terapias experimentais.
Até consigo visualizar um cara como eu, 1m69cm e acima do peso, voltando de férias com um corpo de fazer inveja ao Michael Jordan, em sua melhor fase como atleta de alto rendimento na NBA. Dizem, posso até ajustar o tom da pele pra manter o corpo dourado o ano todo. Ah, sem falar na barriga de tanquinho.
Pois é, caríssimos e caríssimas, nessa vida atribulada, cada dia mais acelerada, os atalhos são bem-vindos, né, não? Quem mais topa surfar nessa onda?
— E quanto às implicações éticas e morais?
Meu filho, tem cidade que pune quem dá comida aos pombos e fecha os olhos pra milícia ou pra motorista que não usa o pisca! Vamos ficar presos às implicações éticas de um melhoramentozinho genético?





