
Alguma coisa está fora de compasso na cena cultural caxiense. 2025 iniciou com uma polêmica sobre o teor “ofensivo” de uma exposição de arte, no Centro de Cultura Ordovás, que resultou no fechamento temporário de um dos mais importantes espaços de Caxias do Sul.
Na época, até o Ministério Público foi acionado para interceder. O resultado? Em nota enviada à reportagem, em 7 de janeiro de 2025, o órgão pontuou que após “realizar diligências no local”, “constatou que a exposição não afronta o direito fundamental à proteção integral de crianças e adolescentes, uma vez que localizada numa sala reservada”.
Não é de hoje, mas os trabalhadores da Cultura, que, aliás, é um dos setores mais importantes da economia criativa, têm sofrido retaliações de toda sorte: seja pela via política, social e, até, pelas mais diversas violências. Quem rompe esse olhar estagnado, vê que Cultura também é educação, cidadania, geração de renda e saúde.
Não é retórica! O acesso à Cultura transforma vidas.
Cultura não é apenas lazer. E quando vista apenas sob essa ótica é simples afirmar que importa mais o trabalho do que o lazer. Sobretudo em uma cidade que tatua na alma o verbo “trabalhar”. Contudo, Caxias também é uma cidade de artistas importantes em todas as linguagens e de produtores culturais respeitados em todo o RS (e até fora dele).
E volto ao começo do texto, ao afirmar que é visível o descompasso da cena cultural na cidade. Se em toda a cadeia produtiva há expoentes, por que parece que a coisa não anda? É porque o poder público, que deveria agir como articulador desse processo, se esquiva de colocar em prática as políticas públicas que têm o poder de reconduzir Caxias para o lugar de protagonismo no contexto estadual (e até nacional).

Fecho essa carta — carinhosamente endereçada a todos os agentes culturais — com uma cena que enche o coração de esperança (foto acima).
O Museu de Arte Regina Rodrigues Machado, no Euzébio Beltrão de Queiroz, inaugurado em novembro de 2025, foi coroado logo no mês seguinte com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, instituído pelo Iphan.
É a arte da periferia da cidade conquistando o país. Podemos ou não ser protagonistas da cena cultural?



