Vi que tem gente falando em guerra civil. Não entendi se é sobre as constantes batalhas entre as facções e a polícia; se é sobre as disputas por território entre facções; ou se é só mais uma desavença entre as famílias que mandam e desmandam no mercado das contravenções, não importa onde: na Pauliceia Desvairada, na Cidade Maravilhosa ou na Pérola das Colônias.
Guerra civil não é “mãos para o alto”, nem mesmo “sossega ladrão”. É sangue que verte do asfalto, escorre pelas ruas desse Brasil varonil, inundando até escritórios repletos da fecunda burocracia, pretexto para maracutaias mil. Guerra civil não é só tiro, bomba e explosão. Guerra civil também é ficção de um mundo fora das quatro linhas.
Mirando a Pátria de Chuteiras, invenção de Nelson Rodrigues, metáfora do Brasil que tinha noutros tempos a melhor escola do futebol mundo afora, papos, colorados e tricolores andam p* da vida. Não apenas tristes com o desempenho de seus times em campo, bem como estão irritados com os atletas que passam o dia chutando uma bola e, na hora do “vamovê”, pifam o taco. Vê lá nas redes sociais. Se esse mundo virtual fosse real cada xingamento já teria ferido centenas.
No campo das profecias apocalípticas, a guerra civil poderia acelerar o fim dos tempos. Segundo previsões da búlgara Baba Vanga, reconhecida por vaticinar o atentado de 11 de setembro de 2001, o mundo vai acabar mesmo em 2026. Ou seja, findará a vida na Terra após 30 anos da morte da mística, em 11 de agosto de 1996. Com sua verve oracular, Baba vislumbrou em suas profecias para o ano que vem, inclusive, um possível contato extraterreste. Se é antes ou depois do fim do mundo isso não ficou claro em meio às suas clarividências.
Sugestão aos carnavalescos de plantão, na Pauliceia Desvairada, na Cidade Maravilhosa ou até aqui, na Pérola das Colônias _ onde sobra samba no pé. Para entrar no clima do fim dos tempos, movidos pelas mais distintas guerras, das bélicas às ideológicas, ou ainda inspirados nos ETs da Baba Vanga, vocês poderiam compor uma nova versão do sucesso de Jorge Ben Jor “Os Alquimistas Estão Chegando”. Poderiam trocar o centro poético da canção para: “os extraterrestres estão chegando”, “os anarquistas estão comemorando”, ou ainda “os ditadores estão surtando”. E por aí vai, conforme o gosto do freguês.
Depois do Carnaval, se der tempo, e se tivermos sorte de sobreviver, sem ainda sermos escravizados pela ditadura extraterrestre, gostaria tanto de ouvir em rede nacional, pelo menos uma vez por dia, o dueto de Elis Regina e Tom Jobim, que diz assim: “É pau, é pedra, é o fim do caminho / É um resto de toco, é um pouco sozinho / É um caco de vidro, é a vida, é o Sol / É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol”.
Apesar de trágico, poético, não?!






