Assim como nas telenovelas, qualquer semelhança dessa crônica com a realidade é mera coincidência. Aos fatos: morreu na terça-feira (22), John Michael Osbourne. No mundo rock’n’roll, mais do que um mero degolador de morcegos, Ozzy Osbourne será por todo sempre o Príncipe das Trevas.
Em 1968, o ano que nunca terminou (vai lá no Google pesquisar), Ozzy ficou sabendo que uns caras procuravam um vocalista pra formar uma banda. Os outros caras eram Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. Inspirados por filmes de terror no estilo Zé do Caixão falados em inglês, batizaram a banda de Black Sabbath. Ou seja toda essa história de diabo é mise-en-scène, como diz a turma do teatro.
Enquanto o mundo inteiro fervilhava por conta da Guerra Fria, a Guerra no Vietnã, a luta por direitos civis e contra todas as formas de preconceitos, os Beatles estavam num retiro de meditação transcendental com o Maharishi Mahesh Yogi em Rishikesh, na Índia, vibrando energias cósmicas por um mundo melhor à base de alucinógenos.
Em Birmingham, cidade industrial como a nossa querida Caxias do Sul, nesse mesmo fatídico 1968 — o ano que nunca terminou —, Ozzy, Tony, Geezer e Bill começavam a colocar em prática a sua revolução barulhenta.
Vem comigo pra 1970. Sete meses depois de lançar o primeiro disco, o Black Sabbath botava pra rodar o segundo LP Paranoid. Entre as músicas daquele álbum que até hoje continuam pertinentes está War Pigs.
Enquanto os Beatles cantavam os xá-lá-lás deles como Let It Be que todo mundo gosta de cantar em festas ao redor de uma fogueira, entoando: “Quando me vejo em tempos de problemas / A Mãe Maria vem até mim/ Falando palavras de sabedoria, Deixe estar.” Em War Pigs, Ozzy e sua turma cantavam: “Generais reunidos em suas massas / Assim como bruxas em missas negras / Mentes malignas que tramam a destruição / Feiticeiros da construção da morte”. E tem mais, pra mim, a melhor parte: “Políticos se escondem / Eles só iniciaram a guerra / Por que eles deveriam sair para lutar? / Eles deixam esse papel para os pobres, sim!”. E por aí vai...
Pois é, Ozzy, a guerra é — e sempre será — só uma diversão pra essa gente. No tabuleiro desse xadrez que virou a geopolítica, a mais valia é a estratégia do feirante: vende mais quem grita mais ou quem é mais criativo na hora de atrair o cliente. Parece piada, mas, infelizmente, não é. E quando falha a estratégia, a resposta vem na base da porrada-tiro-e-bomba.
Invariavelmente, quem morre é o trabalhador, tanto faz se assalariado ou empreendedor. Porque, lá do alto da torre, gregos e troianos dão risada, afinal de contas, como ensina a Escola Black Sabbath de Ciências Sociais, “políticos se escondem, eles só iniciaram a guerra”.






