
Em março de 2024 noticiei aqui na coluna o nascimento de um projeto especial no coração da comunidade kaingang Kógünh Mág, em Canela.
Tratava-se da gravação das primeiras cenas do filme Fuá, o Sonho, com Marcielly Fuá interpretando uma jovem indígena que precisa decifrar o significado dos seus sonhos e de uma planta com o poder de cura, reencontrando assim a sua verdadeira identidade.
Pouco mais de um ano depois, recebo a informação de que o filme foi selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens gaúchos, que vai ocorrer em agosto no Palácio dos Festivais, durante o 53º Festival de Gramado.
Fuá, o Sonho é realizado pelas mulheres da comunidade kaingang, com direção compartilhada pela indígena Viviane Farias e pela não-indígena, Amallia Brandolff, por meio de roteiro em colaboração com a antropóloga Ana Elisa de Castro Freitas e a líder espiritual Kujà Gah Té.
— Estou muito emocionada e feliz, porque estamos realizando o sonho da minha filha, Marcielly Fuá. Um dia, ela disse a um jornalista que o sonho dela era aparecer no cinema de Gramado e, agora, esse sonho está se realizando — conta Viviane Farias.
O 53º Festival de Gramado vai rolar de 13 a 23 de agosto. Assim que sair a programação a gente conta aqui pra vocês.

Curiosidades
- Fuá é o nome da planta curativa utilizada pelos kaingang e também o nome dado à filha de Marcio Kakupry Salvador e Viviane Jag Fej Farias.
- Marcielly Fuá Salvador é ainda a protagonista de Fuá, O Sonho.
- Na língua kaingang, o mesmo radical de uma palavra significa alimento e também remédio.
- Para eles, as plantas não apenas nutrem o corpo, mas também têm propriedades medicinais.
- Os Jãgres, espíritos que residem nessas plantas, desempenham um papel vital nessa relação.






