
Uma das principais grifes de roupas da Serra — e do país —, a Biamar, em Farroupilha, está ampliando o parque fabril. Serão mais 2 mil metros quadrados para possibilitar a reorganização da fábrica que receberá novas máquinas para a tecelagem no final do ano. Foram comprados 28 novos teares e, com isso, a fábrica passará a contar com 138 (são 120 atualmente, mas algumas máquinas serão substituídas).
A aquisição dos novos equipamentos irá resultar, por consequência, na compra de outros tipos de máquinas, como de costura e remalhado — hoje, são 400 máquinas industriais, no total. Além disso, será preciso mais espaço para guardar a matéria-prima e o estoque de peças prontas. Hoje, a Biamar tem 23 mil metros quadrados.
— Nós também queremos realocar nossa máquina de corte porque aumentou muito a produção de tecido plano. Essa ampliação é por uma necessidade — acrescenta Itacir Marmentini, sócio da Biamar.
Com o aumento de área produtiva, a equipe também irá crescer. Estão previstas 50 novas contratações. Algumas, inclusive, já estão ocorrendo. Já há pessoas sendo treinadas dentro da empresa. Atualmente, são 500 funcionários espalhados em diversos setores, sendo 83% do time formado por mulheres. Serviços de tinturaria e costura de tecidos de algodão são terceirizados, totalizando entre 60 e 70 pessoas.
Entre 2020 e 2025, a Biamar investiu mais de R$ 100 milhões em melhorias. Os novos investimentos para esse somam cerca de R$ 15 milhões em infraestrutura e R$ 9 milhões em atualização de maquinário.
No ano passado, a empresa alcançou crescimento de 20% e para esse ano a projeção é de 20% também.
Modelo de negócio

Mais 700 mil peças são produzidas por ano pela Biamar e a maioria das vendas é para o Rio Grande do Sul: 70%. Santa Catarina ocupa o segundo lugar, com 20%. Os outros 10% ficam com o restante do país. A empresa aposta na pronta-entrega e, para isso, tem um showroom com 70 mil peças.
— A Biamar acredita muito na sua marca, no seu potencial, no seu desenvolvimento. E ela produz, estoca e disponibiliza o produto para o seu cliente. São mais de 7 mil clientes que compram, que revendem nossos produtos. E esse cliente tende sempre a crescer um pouquinho. Sempre tem um cliente novo buscando ou aumentando o seu volume de compras. Isso faz com que a gente acredite muito no negócio que a gente tem feito — destaca Itacir Marmentini.
Maquinário importado
As máquinas de tecer usadas pela Biamar são da fabricante japonesa Shima Seiki. Algumas delas conseguem, por exemplo, produzir peças sem costura. Ou seja, a peça sai do tear pronta. A empresa também usa equipamentos de montagem chineses e acabamento italiano.
A Biamar trabalha com algodão, alpaca, modal, lã, viscose, linho, mohair e poliamida.
40 anos de história

A Biamar nasceu há 40 anos pelas mãos dos irmãos Devilda Marmentini Biazoli e Itacir Ari Marmentini. A primeira sede foi em um porão de 30 metros quadrados em Farroupilha. Pouco tempo depois, Segundo Biazoli, marido de Devilda, vendeu seu caminhão para investir no negócio da família, tornando-se sócio em 1989.
A marca começou como confecção e tornou-se malharia por uma necessidade — e também oportunidade de mercado.
— Nosso carro-chefe ainda é a malharia retilínea, mas hoje a gente volta um pouquinho para os primórdios da Biamar e também temos entregue a confecção em diversos tipos de tecido e complementa todo o tricô — diz Suélen Biazoli, gerente de criatividade e comunicação da Biamar.
Dez coleções por ano
Um dos diferenciais da Biamar é o lançamento de várias coleções ao longo do ano — cerca de dez. O principal lançamento ocorre em janeiro e representa aproximadamente 25% do faturamento anual da empresa. Nos meses seguintes, novas coleções cápsulas são lançadas estrategicamente conforme datas comerciais e mudanças climáticas.
Neste momento, a empresa trabalha na produção da coleção inverno 2027.
— Está linda. Eu estou muito ansiosa para poder mostrar um pouco. Está cheia de atitude, vem com uma visão muito moderna, mas ao mesmo tempo trazendo o tradicional através dos pontos e do toque, principalmente, do nosso produto. Está bem surpreendente. Ao mesmo tempo que tem uma pegada super usual, não é aquela peça ultra fashion, mas que a gente pode estar incrementando de várias formas e criando alternativas muito diferentes para o vestir — antecipa Suélen.



