Cerca de 12 mil ônibus são produzidos por ano nas fábricas da Marcopolo no Brasil. Boa parte é feita na unidade de Ana Rech, em Caxias do Sul, cidade onde a fabricante nasceu há 77 anos, em 6 de agosto de 1949. São aproximadamente 20 veículos por dia. A companhia também faz trens e motorhomes, mas é a fabricação de ônibus o principal negócio da Marcopolo.
A coluna visitou a fábrica de Ana Rech para conhecer o processo de fabricação, que é complexo e inclui diversas etapas como montagem do casulo, colocação do chassi e pintura. São 6 mil funcionários somente em Ana Rech para garantir a operação, desde o pedido até a entrega. Somando todas as unidades da Marcopolo no mundo, são mais de 15 mil pessoas.
A fábrica de Ana Rech tem um diferencial. Nela, há um centro de fabricação onde são produzidos todos os componentes metálicos. Na área de 20 mil metros quadrados são processadas mais de 100 toneladas por dia de aço, alumínio, perfis e chapas. O espaço proporciona importantes ganhos logísticos porque concentra máquinas e equipamentos.
— A gente abastece de materiais metálicos 100% da fábrica de Ana Rech e em torno de 60%, 65% da fábrica da São Cristóvão. Enviamos cerca de 10% para fábrica do Espírito Santo. Também fazemos componentes para Argentina, Colômbia, México e África e para pós-vendas — explica André Matté, gerente de fabricação.
A produção da unidade de Ana Rech é focada nos ônibus rodoviários, veículos de maior valor agregado. Os preços partem de cerca de R$ 1,5 milhão e podem chegar a até R$ 2,5 milhões em um modelo DD (double decker, ou seja, de dois andares).
Poltronas somente em Ana Rech
As poltronas de todos os veículos da Marcopolo, produzidos em todas as unidades da empresa, no Brasil ou fora, são fabricadas na unidade de Ana Rech. Não há, em nenhuma outra fábrica da Marcopolo no mundo, produção de poltronas. Ou seja, mesmo um ônibus fabricado no México, por exemplo, receberá poltronas feitas em Ana Rech.
Lat.Bus
Com cerca de 95% do negócio representado pela fabricação de ônibus, a Marcopolo se prepara para mais uma edição da Lat.Bus na próxima semana, em São Paulo. Para esse ano, a novidade será a presença do programa Pronta-Entrega.
Pela primeira vez na história da feira, uma fabricante contará com um espaço dedicado à exposição e venda de ônibus zero-quilômetro. Serão mais de 20 veículos expostos e disponíveis para entrega imediata, além de outros 107 na fábrica.
Geralmente, a compra de um ônibus envolve prazos de entrega que podem variar entre 60 e 120 dias.
— Nós estamos nos aproximando da Lat.Bus, que é a maior feira da América Latina. Teremos um volume de mais de 30 ônibus e pelo menos 10 deles trazem inovações, novidades, lançamentos para o mercado. Não posso ainda abrir esses lançamentos, mas posso dizer que são para todos os segmentos que a Marcopolo atua: micro, urbano e rodoviário — acrescenta Ricardo Portolan, diretor de Vendas e Marketing da Marcopolo.
Para a Europa
Há quase um ano, em setembro de 2025, a Marcopolo anunciou a retomada das operações comerciais na Europa. Logo depois, em outubro, comunicou uma parceria com a Volvo Buses para a venda de ônibus completos na França e na Itália. A versão europeia do modelo rodoviário Paradiso G8 1200 é produzida em Ana Rech é a expectativa de inicio de entregas é 2026.
— Nós apresentamos o produto na Busworld do ano passado, com extremo sucesso, e começamos esse ano as vendas. Já existem vendas confirmadas para a Europa e agora a gente começa o processo produtivo e, em paralelo, o processo de homologação dos ônibus. Esse ano ainda a gente vai participar de mais feiras lá, estamos com ônibus sendo vendido na Europa, as vendas crescentes e a partir do ano que vem a gente começa as entregas para os clientes — destaca Ricardo Portolan.
Desempenho
A receita da Marcopolo no segundo trimestre atingiu de R$ 2,37 bilhões. O valor representa um incremento de 3,0% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, a empresa alcançou 48,3% de participação no mercado brasileiro. O desempenho reflete, principalmente, o crescimento de produção no segmento de micros, que mostrou avanço de 120,4% no segundo trimestre.
Conforme o balanço divulgado pela companhia, a produção mundial consolidada atingiu 4.105 unidades no período, volume 8,0% superior em relação ao segundo trimestre de 2025. No Brasil, o crescimento da produção atingiu 19,4% de alta na comparação anual.
Pista de testes
A unidade de Ana Rech também conta, desde o início do ano, com uma nova pista de testes. A estrutura tem capacidade para avaliar mais de 40 veículos por dia e possibilita testes de frenagem, torção de carroceria e chassi, vibração e ruídos. A pista está disponível para veículos fabricados em Ana Rech e na unidade de São Cristóvão.



