
A volta da edição do meio do ano da Fenim Fashion a Gramado, após cinco anos em Balneário Camboriú, promete trazer bons resultados para o evento. Pelo menos é o que indicam os dois primeiros dias de feira no Serra Park. Os relatos dos expositores são de lojistas indo direto ao ponto: a compra. A maioria dos visitantes está fechando negócios e não apenas "dando uma olhada", o que anima as marcas.
Uma delas é a Yunik, de São Paulo. A empresa tem equipe de criação e desenvolvimento brasileira e produz as peças na China. Para essa edição da Fenim, além da coleção primavera-verão, a marca trouxe uma de alto verão (com cores mais vibrantes) e projeta vender, pelo menos, R$ 5 milhões.
— A feira não é volume, é qualidade de cliente e os clientes estão vindo para comprar — conta Sergio Bahbout, da Yunik.

Entre os lojistas dispostos a fechar pedidos, as irmãs Edilene Borghezan Iung e Eliani Borghezan Medeiros, de Gravatal, Santa Catarina. Donas de quatro lojas no Estado vizinho, elas sempre participam da Fenim e estiveram nas últimas edições em Camboriú. Elas perceberam mais produtos brasileiros na feira em Gramado.
— O consumidor prefere preço e qualidade, mas a gente nota que, geralmente, quando é nacional, ele dá mais valor — diz Eliani, acrescentando que pretende fechar cerca de R$ 200 mil em compras.

R$ 300 milhões
Segundo o diretor da Fenim, Julio Viana, a expectativa é de uma geração de negócios na casa dos R$ 300 milhões. Isso só durante os três dias de feira. Não é possível projetar as vendas pós-evento.
— A grande certeza que a gente tem é que no Brasil faz verão o ano todo, então, recebemos muita gente, muitas redes do Norte e Nordeste. As grandes redes não compram na feira, elas escolhem produto, negociam preço, prazos de pagamento, escolhem os modelos que querem comprar e fazem o pedido pós-feira. Tem grandes redes com mais de cem lojas que visitam a Fenim — destaca.
Bom para a Fenim, bom para Gramado
O retorno da edição de primavera-verão para Gramado é bom não apenas para o evento, mas para a cidade. É mais uma feira no município cuja economia depende do turismo, inclusive o de negócios. A realização durante a semana ajuda a movimentar dias com menor presença de turistas de lazer e traz um visitante com tíquete médio maior. Conforme o vice-prefeito de Gramado, Luia Barbacovi, quem participa de feiras costumam gastar cerca de R$ 1 mil por dia, incluindo hospedagem e alimentação.
— A Fenim é importante no aspecto econômico e porque demonstra o apelo que Gramado tem também para o turismo de eventos. Dados do Convention & Visitors Bureau mostram que um evento em Gramado tem, em média, em torno de 20%, 25% a mais de participantes que em outros locais do Brasil. Isso nos dá a certeza de que temos um bom produto para oferecer e motivação para continuar investindo em turismo de eventos — destacou para a coluna durante visita à Fenim na tarde desta quarta-feira (1º).
Quando fala em investimentos, o vice-prefeito se refere às melhorias na ExpoGramado. O centro de eventos passa por uma revitalização que inclui climatização, salas maiores, melhorias nos sanitários e construção de uma passarela externa. Também está sendo construído um novo prédio para abrigar a Gramadotur e a Secretaria de Turismo, o que permitirá ampliar ainda mais a capacidade da ExpoGramado de receber eventos. Os investimentos iniciais estão estimados em cerca de R$ 3 milhões para a passarela externa e aproximadamente R$ 12 milhões para climatização e melhorias estruturais.
Decreto prorrogado
A coluna aproveitou para perguntar ao vice-prefeito sobre a prorrogação do decreto que veta novos alvarás para hotéis e restaurantes. Ele destacou que a medida busca mais tempo para estudos. A intenção é frear o excesso de oferta e garantir qualidade nos serviços já existentes.
— Entendemos que segurar esse um ano e meio vai acomodar o mercado e vai dar para ter uma visão mais geral, olhando para o futuro e como se pode, então, liberar talvez em algumas regiões do município, em alguns setores do município, ou seja, redimensionar a estrutura e, principalmente, os espaços onde se instalam esses novos estabelecimentos — explica Luia, acrescentando que a prorrogação não tem relação com o projeto de nova centralidade de Gramado.
* A jornalista está em Gramado a convite da Fenim.

