
A Agrale anunciou nesta segunda-feira (25) mudanças na direção da empresa. Hugo Zattera deixa a presidência do Conselho de Administração e da Agrale após mais de 30 anos exercendo cargos de direção na companhia. O atual diretor executivo Rogério Vacari assume a posição de diretor geral (CEO) e o acionista Alfredo Bráulio Stedile é o novo presidente do Conselho de Administração do grupo.
— O Vacari é um rapaz com "apenas" 40 anos de trabalho na Agrale. Está incorporado, conhece as minúcias. A Agrale é uma empresa pequena, mas complexa, de nichos, tem que ter agilidade, imaginação, tem que fazer funcionar a empresa, e ele está muito bem capacitado — diz Zattera.
A trajetória de Zattera no Grupo Stedile começou em 1968 como gerente da Importadora Auto Nordeste Ltda, então revendedora de veículos e pequenos tratores da Agrale. Em 1969, fundou a Lavrale — hoje Agritech Lavrale, ainda presidida por ele. Em 1996, assumiu a superintendência da Agrale S.A. e, com a morte do fundador Francisco Stedile, em 2006, o sucedeu na empresa.
— Eu vim a convite do meu sogro, era um momento delicado da empresa e, ingenuamente, imaginei que em seis meses organizava a diretoria e voltava para a Lavrale. Estou aqui há 30 anos. Estou deixando porque a gente tem que ter a percepção de que é preciso deixar espaço para os outros. Temos pessoas que construíram suas carreiras na empresa, têm ideias, trabalham — explica.

Responsável por conduzir o processo de recuperação e expansão da companhia, Zattera deixa as atividades do dia a dia, mas permanece como membro do Conselho de Administração da Agrale. Sua participação, mesmo que não mais em um cargo de direção, é fundamental. Ele ajudou a mudar os rumos da empresa, que antes era bastante dependente de maquinário agrícola.
Sob a direção de Zattera, a companhia passou a apostar em nichos de mercado, o que resultou em bons negócios.
— Um deles foi uma coisa simples chamada chassi de ônibus. Simples no sentido da decisão, que era desenvolver um chassi específico para encarroçamento. E foi justamente em um momento em que a Marcopolo resolveu lançar o Volare. Nós tínhamos um chassi adequado e foi um sucesso. Já fornecemos, só para a Marcopolo, mais de 80 mil chassis. Assim foi também com o Agrale Marruá, uma viatura com poucos fabricantes no mundo — complementa.




